O director executivo da SK Hynix, Kwak Noh-Jung, deixou um aviso claro ao mercado tecnológico. A actual crise global de memórias está longe de terminar. Numa entrevista recente à Reuters, o responsável prevê que o ano de 2027 será o pior de sempre para a indústria do ponto de vista da oferta. A procura vai continuar a superar a capacidade de produção, num cenário que se deve prolongar para lá de 2030.
O impacto da inteligência artificial na produção
A empresa está a fazer os possíveis para resolver o problema, mas Noh-Jung reconhece que será uma batalha difícil. A procura por parte dos clientes continua a aumentar, enquanto a capacidade das fábricas tem limitações físicas e logísticas. Sem qualquer abrandamento à vista na frente da inteligência artificial, a necessidade de chips de memória vai manter-se elevada durante os próximos anos.
Expansão financeira e o fantasma da volatilidade
Para tentar dar resposta a esta escalada, a SK Hynix entrou na bolsa de valores de Nova Iorque na passada sexta-feira. A operação gerou cerca de 26,5 mil milhões de dólares, um montante que a fabricante planeia utilizar na construção de instalações de produção adicionais. No entanto, vão passar vários anos até que as novas fábricas comecem a operar, o que pouco ajuda a colmatar as necessidades imediatas do mercado.
O mercado global de memórias tem um histórico de extrema volatilidade. Se a bolha da inteligência artificial rebentar, como alguns analistas temem, as fabricantes podem dar por si com excesso de capacidade e falta de compradores. Uma mudança drástica seria uma má notícia para os investidores, mas poderia trazer alívio aos consumidores que lidam com preços inflacionados.
Para ilustrar esta montanha-russa financeira, basta olhar para o período imediatamente anterior ao atual pico da IA. No início de 2023, a Micron anunciou planos para acelerar despedimentos e reduzir a força de trabalho em 15%, após uma quebra abrupta na procura. Nessa altura, as acções da empresa negociavam na casa dos 55 dólares. Hoje, impulsionada pela nova realidade do mercado, uma única ação ultrapassa os 930 dólares.
