As vendas globais de computadores de secretária, portáteis e estações de trabalho sofreram uma queda de 3,6% no segundo trimestre de 2026. De acordo com o site TechPowerUp, que cita os dados mais recentes da consultora Omdia, foram expedidas 65,7 milhões de unidades neste período, a evidenciar um arrefecimento na procura global.
Ao analisar os diferentes segmentos, os computadores de secretária registaram uma descida anual de 1,3%, para as 13,9 milhões de unidades. Já os portáteis sofreram um impacto maior, a cair 4,2% para um total de 51,7 milhões de equipamentos expedidos.
O impacto do preço dos componentes
A principal justificação para esta contracção reside no aumento acentuado dos preços da memória e do armazenamento logo no primeiro trimestre do ano. Esta inflação nos componentes, numa altura em que a indústria já se prepara para iniciar a produção de discos SSD de nova geração, obrigou as marcas a ajustar os valores finais dos produtos no segundo trimestre.
Para mitigar o risco de novos aumentos, muitos consumidores e decisores de TI anteciparam as suas compras no início do ano. O resultado prático é que, em linhas de produtos comparáveis, os preços subiram entre 20% a 40% face ao mesmo período do ano passado. A Apple, por exemplo, tomou a decisão de aumentar os preços de toda a linha MacBook, mas outras fabricantes já o faziam desde o final de 2025.
Empresas adiam actualizações de hardware
Após a antecipação de compras na primeira metade do ano, os indicadores apontam agora para um período de procura adiada. Mais de metade dos parceiros de canal B2B inquiridos revelaram que os seus clientes estão a colocar em pausa os planos de renovação de hardware até que o mercado estabilize.
Com o adiamento das compras, muitos utilizadores e gestores de TI procuram formas de prolongar a vida útil das máquinas actuais. Ainda assim, como o mercado se aproxima da marca de um ano desde o fim do suporte do Windows 10 (ocorrido em Outubro de 2025), uma grande parte das frotas comerciais vai continuar a necessitar de actualizações urgentes a curto prazo.
O ranking das fabricantes
Apesar da pressão nos custos, que agora se estende a outros componentes como placas de circuito impresso (PCB), o topo da tabela das fabricantes manteve-se relativamente estável, embora com desempenhos distintos:
- Lenovo: Mantém a liderança do mercado com 16,6 milhões de unidades expedidas e uma quota de 25%, apesar de registar uma ligeira descida de 2% face ao ano anterior.
- HP: Ocupa a segunda posição da tabela, com a entrega de 13 milhões de computadores, o que representa uma quebra mais acentuada de 9%.
- Dell: Segura o terceiro lugar com 9,3 milhões de unidades e 14% de quota de mercado, a demonstrar resiliência num cenário de forte escassez de componentes.
- Apple: Destaca-se como a marca com o maior crescimento entre as líderes, impulsionada pelo lançamento do MacBook Neo. A gigante de Cupertino expediu 7,3 milhões de unidades e ganhou dois pontos percentuais de quota de mercado.
- ASUS: Fecha o top cinco com 5 milhões de computadores expedidos, a manter um desempenho praticamente inalterado em relação ao mesmo período do ano passado.
Apesar desta contracção geral no hardware tradicional, nichos específicos continuam a mostrar dinamismo o que poderá ditar novas estratégias para as marcas na segunda metade do ano.
