A Apple continua sem planos concretos para lançar na União Europeia a nova versão da Siri baseada em inteligência artificial e responsabiliza directamente a legislação europeia por esse atraso. Segundo a empresa, as exigências impostas pelo Digital Markets Act (DMA) tornam inviável disponibilizar a funcionalidade nos moldes pretendidos pela fabricante do iPhone.
A nova Siri foi apresentada como uma das principais novidades da estratégia de inteligência artificial da Apple. A assistente deverá ser capaz de compreender melhor o contexto do utilizador, analisar informações espalhadas por diferentes aplicações, mensagens, fotografias e vídeos, além de executar tarefas complexas em nome do utilizador.
No entanto, a Apple argumenta que as regras de interoperabilidade previstas pelo DMA «obrigariam a conceder a empresas rivais níveis semelhantes de acesso ao sistema operativo e aos dados utilizados pela Siri». Na prática, isso poderia abrir a porta a concorrentes como a OpenAI, Google, Anthropic e outros fornecedores de assistentes digitais.
Para a tecnológica norte-americana, essa exigência levanta questões de «privacidade e segurança». A empresa considera que permitir a terceiros o mesmo grau de integração com o sistema colocaria em risco a protecção dos dados dos utilizadores, preferindo adiar o lançamento da funcionalidade na Europa em vez de cumprir as regras nos termos actuais.
Como alternativa, a Apple propôs às autoridades europeias uma solução designada Trusted System Agent. O conceito prevê a criação de uma «camada intermédia entre os sistemas da Apple e os assistentes de inteligência artificial de terceiros», permitindo acesso a determinadas funções sem comprometer a segurança do dispositivo. A empresa afirma que necessitaria de «cerca de dezoito meses para implementar esta arquitectura de forma gradual».