A ideia de colocar servidores no espaço já andava a circular há algum tempo, mas agora ganhou contornos oficiais. Na véspera da entrada da SpaceX na bolsa de valores, Elon Musk decidiu mostrar ao mundo o AI1, um satélite de inteligência artificial desenhado para funcionar como um autêntico data center orbital.
Um gigante na órbita terrestre
O design de primeira geração do AI1 impressiona pelas dimensões. O equipamento mede vinte metros de altura e atinge uma envergadura de setenta metros quando os painéis estão totalmente abertos, o que o torna mais largo do que um avião Boeing 747-8. O objectivo principal passa por fornecer 120 kW de capacidade de processamento contínuo, com picos de 150 kW, enquanto opera numa órbita terrestre baixa, a cerca de 600 quilómetros de altitude.
O líder da empresa comparou o consumo de energia deste satélite ao de um bastidor Nvidia GB300. Na prática, cada AI1 funciona como um bastidor de servidores no espaço, envolvido por painéis solares, sistemas de comunicação, propulsão e escudos protectores para resistir ao vácuo e aos detritos espaciais.
Para garantir o funcionamento no espaço, o satélite integra várias tecnologias essenciais:
- Módulos de processamento substituíveis: A arquitectura permite utilizar hardware da Nvidia numa fase inicial, com a possibilidade de trocar os componentes no futuro. Bret Johnsen, director financeiro da SpaceX, indicou que as versões a longo prazo deverão integrar chips da Terafab, um projecto desenvolvido em conjunto com a Tesla e a Intel para criar semicondutores resistentes à radiação.
- Sistemas avançados de dissipação térmica: Sem atmosfera para arrefecer os servidores, o equipamento utiliza 110 metros quadrados de radiadores líquidos desdobráveis e circuitos de bombagem redundantes. O sistema recorre provavelmente a amoníaco para irradiar o calor sob a forma de energia infravermelha.
- Estrutura de suporte baseada no Starlink: O design aproveita a engenharia da terceira geração dos satélites de comunicação da marca, simplificando a construção ao remover as grandes antenas de fase, mas mantendo os robustos sistemas de gestão térmica e de energia.
Watch @ElonMusk provide a technical update on SpaceX’s capability to manufacture, launch, and operate AI satellites at scale → https://t.co/PSCyWrNsOg pic.twitter.com/vhtr46uax7
— SpaceX (@SpaceX) June 8, 2026
A estratégia financeira e o futuro
Os painéis solares vão sair da nova fábrica Gigasat, localizada no Texas, que deverá atingir um volume de produção significativo até ao final do próximo ano. Para colocar todo este material em órbita, a empresa vai depender do foguetão reutilizável Starship.
Este anúncio surge num momento estratégico. A apresentação do AI1 funciona como um forte argumento para a oferta pública inicial (IPO) da empresa, que procura angariar cerca de 75 mil milhões de dólares, alcançando uma avaliação a rondar os 1,75 biliões de dólares. As acções deverão começar a ser negociadas na bolsa Nasdaq sob o símbolo SPCX.