A Internet mudou de forma drástica. Pela primeira vez na história, o tráfego gerado por agentes de Inteligência Artificial ultrapassou a actividade humana. Os dados mais recentes da Cloudflare indicam que as máquinas já são os principais utilizadores da web, um marco histórico que chegou muito antes do que os especialistas previam.
A antecipação de um cenário inevitável
O director executivo e co-fundador da Cloudflare, Matthew Prince, admitiu que esperava que este ponto de viragem acontecesse apenas em 2027. No entanto, a explosão da actividade gerada por IA ao longo do último ano destruiu por completo essas previsões. As métricas de monitorização mostram que a balança do tráfego web global, medida em pedidos HTTP, pendeu para a automação: os bots comandam agora 57,5% da actividade, deixando os utilizadores humanos com uma quota de 42,5%.
Welp, that happened faster than I predicted. Thought it would be end of 2027, then early 2027, but agentic traffic growing so fast that bots have now passed human traffic online for the first time in the Internet’s history. https://t.co/2zX5bHdhsa
— Matthew Prince 🌥 (@eastdakota) June 3, 2026
Uma nova geração de assistentes virtuais
É fundamental distinguir este fenómeno do tráfego automatizado do passado. Durante décadas, a web esteve povoada por indexadores básicos de motores de busca e scripts maliciosos desenhados para fraude ou spam. O aumento actual é impulsionado por uma nova classe de agentes de IA complexos, criados para navegar na Internet de forma semelhante às pessoas, mas a actuar em nome delas.
A análise da Cloudflare indica que estes agentes estão constantemente a analisar a web para executar tarefas de múltiplos passos. Estão a ler descrições de produtos, a monitorizar flutuações de preços, a comparar voos e a gerir interacções de apoio ao cliente. Além disso, uma grande parte destes bots passa o tempo a recolher e a processar conteúdos em tempo real para treinar grandes modelos de linguagem (LLM).
O mapa da automação e o papel humano
Geograficamente, a distribuição do tráfego automatizado destaca padrões de infra-estrutura muito específicos. A maior concentração de actividade de bots encontra-se em Gibraltar, onde representa uns impressionantes 92,4% de todos os pedidos HTTP. Singapura e Irão seguem logo atrás, com 76,2% e 75,6%, respectivamente. Enquanto centros tecnológicos como Singapura reflectem uma densa concentração de centros de dados, outros locais são impulsionados por ferramentas de recolha de dados e redes VPN para contornar restrições locais.
Apesar desta mudança nos pedidos HTTP, os humanos de carne e osso continuam a ser os principais utilizadores da Internet no que toca ao tempo de permanência online, especialmente no consumo de vídeo e na interacção nas redes sociais. A automação está, sim, a assumir as tarefas repetitivas e de pesquisa rápida.