Os smartphones Android tornaram-se os dispositivos principais para milhares de milhões de pessoas em todo o mundo. Desde operações bancárias a guardar fotografias pessoais e documentos sensíveis, a dependência destes equipamentos tornou-os num alvo preferencial para cibercriminosos. A Google decidiu responder a este cenário de risco com um conjunto abrangente de novas funcionalidades de segurança baseadas em Inteligência Artificial (IA), integradas directamente no sistema operativo.
A equipa de Segurança e Privacidade do Android da Google, liderada pelo director Eugene Liderman, tem estado a monitorizar a forma como os métodos de ataque estão a mudar. Os especialistas notaram que os piratas informáticos usam cada vez mais sistemas de chamadas baseados na Internet para falsificar identificadores. Esta táctica de engenharia social faz com que uma chamada fraudulenta pareça vir de um banco ou instituição de confiança, o que causa perdas anuais de milhares de milhões de euros a nível mundial.
Para combater estas ameaças, as novas actualizações para o Android abrangem desde a monitorização de chamadas em tempo real até uma protecção mais forte quando um telemóvel é perdido ou roubado. O objectivo da empresa para o resto de 2026 é tornar estas defesas proactivas e silenciosas, para actuar antes que o dano seja feito.
Detecção inteligente de ameaças
Uma das novidades mais notáveis é a versão melhorada da Detecção de Ameaças em Tempo Real. Este sistema usa IA no próprio dispositivo para analisar o comportamento das aplicações e alertar os utilizadores se um software começar a agir de forma suspeita. A Google está a expandir esta funcionalidade para interceptar mais aplicações que tentam defraudar as pessoas. Os novos avisos cobrem agora comportamentos como o reencaminhamento de SMS, onde uma aplicação envia mensagens silenciosamente para outro número, e o abuso de sobreposições de acessibilidade para mostrar conteúdo enganoso no ecrã.
Além disso, a monitorização dinâmica de sinais passa a rastrear a forma como as aplicações interagem com o sistema operativo para detectar comportamentos abusivos de forma precoce. No caso do browser Chrome para Android, uma nova camada de protecção verifica o identificador da aplicação numa base de dados de malware antes de concluir uma transferência. Esta medida junta-se a outras iniciativas recentes da marca, como a decisão de reforçar a privacidade e bloquear anúncios maliciosos no sistema operativo móvel.
Controlos de privacidade reforçados
A Google indica também que está a fortalecer as protecções para situações em que o equipamento cai nas mãos erradas. A funcionalidade “Marcar como Perdido” vai ser optimizada no Android 16, passando a exigir autenticação biométrica para desbloquear um dispositivo que tenha sido dado como desaparecido. Assim, um ladrão que saiba o PIN ou a palavra-passe continua sem conseguir aceder ao telemóvel.
Para dar aos utilizadores mais controlo sobre os seus dados, o Android 16 introduz um botão de localização que permite partilhar o paradeiro exacto de forma temporária enquanto uma aplicação específica está aberta. Isto elimina a necessidade de conceder permissões permanentes apenas para executar tarefas rápidas. Um novo indicador vai também aparecer no topo do ecrã sempre que um software estiver a aceder a estes dados.
A Google está a apertar a segurança do Android em torno das palavras-passe de uso único (OTP). Como os burlões usam frequentemente aplicações maliciosas com permissão de SMS para ler e roubar estes códigos, o sistema passa a ocultar automaticamente estas chaves de segurança durante três horas da maioria das aplicações. Desta forma, os códigos OTP mantêm-se protegidos contra acessos não autorizados enquanto ainda estão activos.