A Cloudflare anunciou a intenção de reduzir a sua força de trabalho em 20 por cento ao longo deste ano. A decisão vai afectar cerca de 1100 trabalhadores e surge como consequência directa do aumento exponencial do uso de Inteligência Artificial dentro da empresa. De acordo com um artigo do Tom’s Hardware, a adoção de ferramentas automatizadas disparou nos últimos meses, o que motivou uma reestruturação profunda a nível interno.
A empresa, que recentemente criticou as práticas de mercado de outras gigantes tecnológicas em torno da Inteligência Artificial, justifica a medida com a necessidade de adaptar a estrutura interna à nova realidade tecnológica. Numa mensagem enviada aos trabalhadores, a administração da Cloudflare indica que a utilização de IA aumentou mais de 600 por cento apenas nos últimos três meses. A empresa refere que quase todos os departamentos já executam tarefas através de milhares de sessões diárias de agentes de IA. Esta integração permite optimizar processos operacionais, agilizar a implementação de software e melhorar as funções de suporte, áreas que antes exigiam equipas humanas substancialmente maiores.
Reacção negativa dos mercados financeiros
Embora os investidores de Wall Street costumem reagir de forma positiva a cortes de pessoal, por norma vistos como uma forma de aumentar os lucros a curto prazo, o cenário foi diferente desta vez. A notícia provocou uma queda abrupta nas acções da Cloudflare, que desvalorizaram 19 por cento num único dia e acumularam uma descida de quase 24 por cento no espaço de uma semana.
O presidente executivo da empresa, Matthew Prince, utilizou as redes sociais para tentar acalmar os ânimos. O responsável esclareceu que muito poucos engenheiros ou profissionais de vendas com contacto directo com o cliente vão sofrer com os despedimentos. Pelo contrário, Prince sublinha que a Cloudflare pretende continuar a contratar activamente para estas funções específicas, de modo a manter a qualidade do serviço prestado às empresas clientes.
Resultados financeiros e previsões
Apesar da turbulência no mercado de acções, os resultados financeiros do primeiro trimestre de 2026 superaram as expectativas. A empresa registou receitas na ordem dos 639,8 milhões de dólares, o que representa um crescimento de 34 por cento em relação ao ano anterior. Os lucros por acção ajustados também ficaram acima do previsto pelos analistas, ao atingir os 0,25 dólares.
No entanto, a previsão para o segundo trimestre de 2026 pode ajudar a explicar a desilusão dos investidores. A Cloudflare estima alcançar receitas de 644,5 milhões de dólares, um valor que fica abaixo das estimativas de Wall Street e que sugere um abrandamento no crescimento. Este factor pode ter levado os accionistas a interpretar os despedimentos não apenas como uma manobra de eficiência tecnológica, mas sim como uma necessidade financeira para manter a rentabilidade num ambiente económico cada vez mais desafiante.
A reestruturação vai ter um custo imediato para a empresa, que espera assumir encargos entre 140 e 150 milhões de dólares associados às indemnizações. Os trabalhadores afectados vão também receber capital da empresa no momento da saída. A administração faz questão de salientar que os cortes não reflectem a qualidade do trabalho individual, mas sim a urgência de preparar a organização para a era da Inteligência Artificial, um passo considerado fundamental para garantir a competitividade a longo prazo.