A corrida à construção de centros de dados para Inteligência Artificial está a provocar um efeito dominó no mercado da tecnologia. Com a enorme procura por componentes, especialmente memória, os preços dispararam. Como resultado, os consumidores que costumam montar os seus próprios computadores debatem-se com dificuldades para adquirir peças, o que está a arrastar as vendas de motherboards para o fundo.
De acordo com uma notícia da TechSpot, que cita fontes da indústria ouvidas pelo DigiTimes no final do ano passado, quatro dos principais fabricantes de motherboards em Taiwan reviram as suas projecções de encomendas para 2026 drasticamente para baixo. Embora as motherboards não sofram da mesma escassez que afecta a memória RAM, a lógica do mercado é simples e directa. Os utilizadores não vêem necessidade de comprar uma placa principal se não conseguem pagar pelos componentes para instalar na mesma.
O impacto nas grandes marcas
Os números revelam um cenário preocupante para as gigantes do sector. A Asus, que viu os envios crescerem de 14 para 15 milhões de unidades entre 2024 e 2025, expediu apenas cerca de cinco milhões até ao momento este ano. A empresa prevê que as vendas totais de 2026 se fiquem pelos dez milhões, o que representa uma quebra na ordem dos 30%. A Asrock estima uma queda semelhante, a passar de 4,4 milhões para 2,7 milhões de unidades.
Por sua vez, a Gigabyte e a MSI prevêem uma redução de cerca de 25% nas vendas. A Gigabyte projecta entre oito e 8,5 milhões encomendas para este ano, em comparação com os 11,5 milhões de 2025. Já a MSI alertou recentemente que os seus números podem cair de 11 milhões para 8,4 milhões.
Efeito dominó no mercado de hardware
A construção de infraestruturas para Inteligência Artificial desviou uma parte significativa da capacidade de produção de memória. Isto tornou a RAM DDR5 demasiado cara para muitos clientes que pretendem construir novos computadores. O impacto nos processadores mais recentes da AMD, que exigem memória DDR5, já é visível nas tabelas de vendas, o que indica que a procura por motherboards compatíveis com o formato AM5 também caiu.
A escassez fez com que os preços de placas gráficas, processadores e unidades SSD subissem de forma acentuada. Produtos que integram estes componentes, como portáteis, consolas de videojogos e computadores pré-constituídos, também enfrentam aumentos de preços e atrasos.
A Valve, por exemplo, pretendia lançar o seu computador de videojogos Steam Machine no início de 2026, mas as dificuldades em obter memória RAM tornam um lançamento este ano cada vez mais improvável. Ao mesmo tempo, a Apple viu-se forçada a aumentar os preços dos computadores Mac e a deixar de disponibilizar certos modelos, devido à falta de memória e à nova popularidade do Mac mini entre os programadores de Inteligência Artificial. Os preços das consolas PlayStation e Xbox também aumentaram, enquanto a Nintendo Switch 2 tem um aumento programado para Setembro.
Para agravar a situação, a falta de RAM levou alegadamente a Nvidia a cancelar a muito falada série de placas gráficas RTX 50 Super, a dar aos utilizadores menos um motivo para actualizar as suas máquinas. Esta interrupção do ciclo tradicional de actualizações levou a AMD a estimar que as suas receitas na área dos videojogos podem cair 20% na segunda metade de 2026.