A VeriCasa é uma startup de origem nacional que surgiu da experiência dos seus fundadores. «Passei mais de dez anos a fechar transacções imobiliárias e vivi na pele a frustração do processo», que é «moroso, burocrático e frustrante», explica à PCGuia o chief legal & product officer e co-fundador da startup, Rodolfo Santos. O empreendedor apresentou a ideia a Phil Williams, que tinha testemunhado a «complexidade do processo» por ter adquirido casa recentemente em Portugal, e «foi um ‘sim’ imediato», tendo assim nascido a VeriCasa.
O responsável salienta que o objectivo «é eliminar a burocracia que torna comprar casa um pesadelo» e que «demora no mínimo seis semanas, envolve dezenas de documentos e passa por meia dúzia de intervenientes que muitas vezes repetem o mesmo trabalho uns dos outros». E sublinha que isto «não é só em Portugal, é assim em praticamente todo o mundo». Assim, a VeriCasa «existe para corrigir a infraestrutura jurídica e de compliance por detrás de cada transacção» e está a «construir a camada [tecnológica] invisível que vai permitir que, no futuro, comprar uma casa seja um processo rápido, seguro e sem fricção».
Simplicidade e IA
Rodolfo Santos esclarece que o «utilizador carrega os documentos legais do imóvel na plataforma em dez segundos, recebe verificações de compliance totalmente concluídas, referências verificadas, relatórios detalhados e contractos». Esta informação pode «ser partilhada entre os vários intervenientes do negócio, sejam consultores imobiliários, advogados, bancos, notários, etc.», acrescenta. A verdade é que «o trabalho que a uma pessoa demoraria várias horas, e que seria repetido por várias pessoas no mesmo processo, é feito de forma instantânea e com 100% de precisão», algo «fundamental no sector imobiliário, onde um único erro pode ter graves consequências legais e financeiras».
O co-fundador revela as principais características da solução: «Primeiro, cobrimos o ciclo completo da transacção, desde a análise documental do imóvel até ao fecho do negócio. Em segundo, construímos o nosso próprio modelo de IA de raiz, treinado com dados de milhares de transacções reais. Não usamos ferramentas generalistas como o ChatGPT. E, terceiro, a nossa arquitectura foi desenhada para escalar globalmente e é baseada em três camadas: uma camada de dados neutra, um motor de IA para extracção documental e uma camada regulatória configurável por jurisdição. É isto que nos permite escalar para novos mercados sem reescrever o software».
A VeriCasa já trabalha «com mais de sessenta clientes» e tem parcerias com a London Stock Exchange Group, a APEMIP e o Imovirtual. Em 2025, a startup «processou mais de duas mil transações» e poupou «o equivalente a quatro anos de trabalho manual aos clientes».
Expansão para os EUA
Os planos de internacionalização estão definidos e Rodolfo Santos destaca que o foco imediato são os Estados Unidos, onde vão participar no programa Plug and Play GOAL, «para aprofundar a validação de mercado, celebrar parcerias e fixar a empresa nesse país». A escolha deveu-se à «dimensão» dos EUA e à «sua divisão por estados, que torna este mercado verdadeiramente desafiante e em que urge uma solução como» a da startup.
Em paralelo, estão «a preparar a entrada em mercados europeus estratégicos onde a complexidade regulatória é semelhante à portuguesa», refere o responsável. Para isso, a VeriCasa tem uma «equipa compacta e deliberadamente lean» de treze profissionais, mas não descarta novas contratações, como indica o co-fundador: «Estamos sempre à procura de pessoas excepcionais. Para além de um perfil inovador e tecnológico, a identificação com a cultura da empresa é tudo. Procuramos pessoas que se irritem com burocracia tanto quanto nós».
A ambição é tornarem-se «a infraestrutura de compliance que sustenta cada transacção imobiliária, primeiro em Portugal, depois nos Estados Unidos e na Europa». Na Vericasa «não estamos a construir mais uma ferramenta. Estamos a construir os rails sobre os quais o imobiliário do futuro vai correr», conclui o responsável.