A Comissão Europeia deu luz verde à comercialização da nova vacina combinada da Moderna. De acordo com um artigo da Ars Technica, a Europa torna-se a primeira região do mundo a aprovar a injecção que protege contra a gripe e a COVID-19 em simultâneo. Curiosamente, a vacina continua a aguardar aprovação nos Estados Unidos da América, o país onde foi desenvolvida.
Uma solução dupla para o inverno
A vacina, designada tecnicamente por mRNA-1083 ou mCOMBRIAX, baseia-se na tecnologia de RNA mensageiro (mRNA). A decisão europeia surge no seguimento de uma avaliação positiva realizada em Fevereiro por um comité da Agência Europeia de Medicamentos, que abriu o caminho para esta aprovação final. O objectivo principal passa por simplificar os planos de vacinação, ao oferecer uma única dose capaz de combater dois dos vírus respiratórios com maior impacto nos sistemas de saúde durante os meses mais frios.
Stéphane Bancel, director executivo da Moderna, reagiu à notícia através de um comunicado à imprensa. O responsável indica que, ao juntar a protecção contra dois vírus respiratórios significativos numa só toma, a vacina procura facilitar a imunização dos adultos, com especial foco nos grupos de risco elevado. Bancel refere ainda que a mCOMBRIAX disponibiliza uma nova opção importante para os cidadãos europeus, ao mesmo tempo que procura reforçar a resiliência dos sistemas de saúde em todo o continente.
Ensaios clínicos confirmam eficácia
A fórmula da mCOMBRIAX integra a já conhecida vacina da Moderna contra a COVID-19 e uma vacina experimental contra a gripe, chamada mRNA-1010, que ainda se encontra a passar por um processo de revisão na Europa. A autorização agora concedida baseou-se nos resultados obtidos durante um ensaio clínico de Fase III, que envolveu cerca de quatro mil adultos.
Os investigadores dividiram os participantes em dois grandes grupos. O primeiro incluiu pessoas com idades compreendidas entre os 50 e os 64 anos, onde a nova injecção foi comparada com uma vacina padrão contra a gripe. O segundo grupo englobou indivíduos com 65 ou mais anos, onde a comparação foi feita com uma vacina contra a gripe de alta dosagem.
Em ambos os cenários, a mCOMBRIAX conseguiu estimular respostas imunitárias estatisticamente superiores contra as estirpes comuns da gripe (A/H1N1, A/H3N2 e B/Victoria) e contra o vírus SARS-CoV-2, quando comparada com as vacinas de controlo. Além disso, os dados mostram que não existiram preocupações de segurança nem eventos adversos graves a registar.
O avanço da tecnologia mRNA
O sucesso desta aprovação sublinha o potencial contínuo da tecnologia de RNA mensageiro na medicina moderna. Depois de ter provado o seu valor durante a pandemia, esta abordagem científica continua a abrir portas para tratamentos optimizados e mais céleres. A investigação em torno da imunização tem vindo a revelar surpresas em várias frentes médicas. Por exemplo, estudos recentes sugerem que até uma vacina contra a zona pode desempenhar um papel fundamental para travar a demência, o que demonstra como as ferramentas de prevenção estão a alargar o seu espectro de acção.
Com a chegada da mCOMBRIAX ao mercado europeu, os governos e as autoridades de saúde passam a ter à disposição uma ferramenta mais prática para proteger as populações vulneráveis. Resta agora aguardar para perceber quando é que as autoridades norte-americanas vão seguir o exemplo europeu e aprovar a comercialização desta vacina combinada no seu próprio território.