A Google anunciou, no início desta semana, uma actualização de peso para a sua popular aplicação de gestão e edição de imagens. De acordo com a comunicação oficial da Google, o Google Fotos passa a integrar um novo conjunto de funcionalidades destinadas a retocar rostos e selfies de forma rápida. O objectivo principal da gigante tecnológica passa por oferecer aos utilizadores a possibilidade de aplicar correcções estéticas sem necessitar de recorrer a software de terceiros, para manter toda a experiência centralizada numa única plataforma.
A aplicação, que já é a escolha de eleição para milhões de utilizadores de dispositivos Android que procuram guardar as suas memórias na nuvem e organizar álbuns, continua a expandir o seu leque de opções. Recentemente, a empresa já tinha começado a disponibilizar novas opções para controlar a velocidade de reprodução de vídeos e organizar a visualização de imagens, mas agora o foco vira-se para a estética facial e para a optimização de retratos.
As sete novas opções de edição ao detalhe
Segundo indica o site 9to5Google, a nova actualização traz exactamente sete ferramentas específicas para alterar detalhes no rosto das pessoas fotografadas. Para garantir que os utilizadores conhecem todas as possibilidades, detalhamos a lista completa de opções que passam a estar disponíveis na aplicação. Os entusiastas da fotografia vão poder aceder a funcionalidades para corrigir imperfeições pontuais, suavizar a textura geral da pele, atenuar as marcas sob os olhos (olheiras), realçar o brilho e a cor das íris, branquear os dentes, definir o contorno das sobrancelhas e, por fim, modificar o aspecto dos lábios.
O processo desenhado pela Google para utilizar estas novidades é bastante simples e intuitivo, pensado para quem precisa de editar imagens em movimento. Basta abrir uma fotografia na galeria, seleccionar um rosto detectado automaticamente pelo sistema e escolher uma das sete ferramentas mencionadas na barra inferior. Após a selecção, a aplicação mostra um controlo deslizante no ecrã que permite ajustar a intensidade do efeito aplicado. Desta forma, cada pessoa pode transitar livremente entre uma alteração quase imperceptível e uma modificação mais profunda, consoante a sua preferência pessoal e o resultado pretendido.
A estratégia da Google e os requisitos técnicos
Ao disponibilizar estas ferramentas de forma nativa, a Google espera reter os utilizadores dentro da sua própria aplicação durante mais tempo. Até agora, muitas pessoas acabavam por exportar as fotografias para outras plataformas de edição, disponíveis nas lojas de aplicações, apenas para conseguir branquear os dentes ou suavizar a pele antes de publicar nas redes sociais. Com esta integração, o Google Fotos torna-se uma solução muito mais completa para executar tarefas de edição diárias, o que dispensa a instalação de software adicional.
No entanto, para ter acesso a estas novidades, os equipamentos precisam de cumprir alguns requisitos mínimos de hardware e software. A empresa refere que a actualização está a chegar aos utilizadores a nível global de forma gradual. Para conseguir utilizar as novas funcionalidades de retoque sem falhas de desempenho, é obrigatório ter um smartphone a correr o sistema operativo Android 9.0 (ou uma versão superior) e que integre, pelo menos, 4 GB de memória RAM. Dispositivos mais antigos ou com especificações mais modestas poderão não suportar o processamento necessário para aplicar os filtros em tempo real, e acabam por ficar de fora desta fase de lançamento.
O impacto psicológico e a preocupação com a imagem
Um detalhe bastante interessante sobre este lançamento prende-se com a linguagem cuidadosa utilizada pela Google no seu blogue oficial. A marca faz questão de sublinhar repetidamente que estas ferramentas servem para criar melhorias “subtis”. Esta escolha de palavras não surge por acaso. O site 9to5Google nota que a empresa tenta minimizar os potenciais danos associados à edição excessiva de imagens, um tema muito debatido actualmente, especialmente no mundo da moda e da criação de conteúdos digitais.
Vários estudos científicos e psicológicos indicam que a alteração constante de fotografias para atingir padrões de beleza irreais pode ser bastante prejudicial. Estas práticas costumam estar ligadas a emoções negativas, problemas de auto-imagem e baixa auto-estima, sobretudo entre as camadas mais jovens da população. O lançamento destas funcionalidades ocorre numa altura em que muitos pais expressam uma enorme frustração face ao impacto negativo das plataformas digitais na vida dos adolescentes.
A própria Google tem estado debaixo de fogo devido a estas questões sociais complexas. No mês passado, a empresa perdeu um processo judicial relacionado com o papel que a plataforma YouTube tem desempenhado no agravamento de problemas de saúde mental entre os jovens. Talvez por isso, a gigante das pesquisas prefira focar a sua comunicação na ideia de pequenos ajustes estéticos, em vez de promover transformações radicais que alterem drasticamente a fisionomia dos utilizadores.
Ainda assim, para quem procura optimizar as suas selfies de forma rápida e prática antes de as partilhar com amigos ou familiares, as novas opções prometem facilitar imenso o processo. Resta agora aos utilizadores aguardar que a actualização fique disponível nos seus smartphones ao longo das próximas semanas, e explorar as novidades com moderação através do ecrã dos seus dispositivos móveis.