O aumento dos preços da memória e do armazenamento, impulsionado pela escassez de componentes e pelo desvio da produção de DRAM e NAND para empresas focadas na construção de centros de dados para inteligência artificial, criou o cenário ideal para os burlões. Com os consumidores à procura de negócios mais acessíveis, o mercado paralelo tem aproveitado para introduzir produtos fraudulentos cada vez mais sofisticados.
Recentemente, a publicação japonesa AKIBA PC Hotline publicou um artigo sobre uma falsificação do SSD Samsung 990 PRO de 1 TB que está a surpreender a comunidade tecnológica pela sua capacidade de iludir os utilizadores e as ferramentas de diagnóstico. No mês passado, a imprensa internacional já tinha noticiado o aparecimento de uma cópia do modelo 980 Pro que transferia ficheiros a uns meros 20 MB/s. Contudo, esta nova versão do 990 Pro tornou esta fraude mais preocupante.
Ao contrário das cópias baratas do passado, que falhavam logo na capacidade ou na velocidade básica, esta unidade apresenta um nível de engenharia muito elevado. O sistema operativo Windows, o Gestor de Discos e até o software CrystalDiskInfo reconhecem o hardware como um autêntico Samsung 990 PRO a funcionar sobre a interface PCIe 4.0 x4. Mais alarmante ainda é o facto de a ferramenta H2testw confirmar que a capacidade de 1 TB é real, o que significa que não se trata de um simples cartão de memória de baixa capacidade com o firmware alterado para mostrar um valor falso.
Nos testes sintéticos do CrystalDiskMark, a unidade falsa alcançou velocidades de leitura de 7255 MB/s e de escrita de 6090 MB/s. Estes valores estão incrivelmente próximos das especificações oficiais da marca sul-coreana, que promete até 7450 MB/s e 6900 MB/s, respectivamente. Esta aproximação aos números reais é suficiente para evitar qualquer suspeita imediata por parte do comprador menos atento.
A quebra de desempenho nas transferências reais
A verdadeira natureza do produto apenas se revela ao executar tarefas mais pesadas e prolongadas no mundo real. A publicação nipónica utilizou o software FastCopy para mover um ficheiro de aproximadamente 370 GB. Foi exactamente neste ponto que a ilusão se desfez. A cópia demorou 25 minutos e 20 segundos a concluir, com uma média de apenas 261 MB/s.
Para efeitos de comparação directa, o modelo autêntico da Samsung precisou de apenas três minutos e meio para completar a mesma operação, a uma média impressionante de 1861 MB/s. A quebra de velocidade ocorre porque a unidade falsa esgota a sua cache SLC rapidamente, caindo para velocidades em torno dos 100 MB/s. Este comportamento denuncia a utilização de memórias NAND de qualidade muito inferior àquelas que a marca oficial disponibiliza.
Como identificar a fraude através do hardware e software
Uma análise física aos componentes mostra as diferenças que separam o original da cópia. A unidade falsificada integra um controlador Maxio MAP1602, cuja marcação pode ser vista na lateral da placa, junto aos contactos dourados. Isto contrasta com o design oficial, que usa um controlador proprietário da Samsung. Além disso, a cópia não tem qualquer cache DRAM dedicada, enquanto o modelo original vem equipado com memória LPDDR4 de alta velocidade. A própria embalagem e o manual de instruções apresentam pequenas falhas gráficas que só se tornam evidentes ao comparar lado a lado com imagens de alta resolução do site do fabricante.
Apesar de o hardware enganar os testes rápidos, existem formas de confirmar a autenticidade através do computador. O software CrystalDiskInfo, embora mostre o nome correcto do modelo, revela um número de série altamente suspeito composto apenas por oitos (“8888888888”). A ferramenta mais fiável para detectar a fraude continua a ser o utilitário oficial Samsung Magician. Esta aplicação identifica a unidade como “Non-Samsung” e falha imediatamente ao tentar executar um diagnóstico.
Este caso prova que o mercado atingiu um ponto em que os consumidores precisam de ter cuidados redobrados. A recomendação principal passa por adquirir componentes informáticos apenas em lojas de confiança. Caso opte por comprar a terceiros, é obrigatório submeter o equipamento a uma bateria de testes de transferência real e utilizar o software oficial da marca para validar a compra. Com os preços instáveis, pode ser preferível optar por uma marca mais acessível, mas de fonte segura, em vez de arriscar em ofertas demasiado tentadoras.