A Apple parece estar prestes a agitar o mercado dos computadores portáteis com uma proposta que rompe com a sua estratégia tradicional dos últimos anos. Um deslize no próprio site oficial da empresa revelou a existência de um novo modelo, baptizado MacBook Neo, que promete ser a porta de entrada mais acessível de sempre para o macOS. Este novo dispositivo, que surge em listagens regulamentares europeias, marca o regresso da marca ao segmento dos portáteis económicos, visando atacar directamente o domínio dos Chromebooks e dos portáteis Windows de gama média.
Um deslize no site oficial
A descoberta foi feita de acidentalmente quando uma listagem de conformidade regulamentar apareceu brevemente na página europeia da Apple. O documento, associado ao número de modelo A3404, mencionava explicitamente o nome “MacBook Neo” no URL da página antes de ser removido pela empresa. Embora o ficheiro em si não contivesse imagens, a referência na secção de produtos para 2026 foi suficiente para confirmar que a Apple está a preparar um lançamento iminente.
Este erro surge numa altura em que a marca está a realizar sessões de esclarecimento com a imprensa em cidades como Nova Iorque, Londres e Xangai. Tudo indica que o anúncio oficial poderá acontecer já nesta quarta-feira, através de uma actualização no site de imprensa da Apple, em vez de um grande evento. Esta abordagem é comum quando a empresa lança actualizações das linhas ou produtos que, embora importantes, não exigem a pompa de uma conferência num auditório ou online.

Processadores de iPhone no Mac
A maior surpresa técnica do MacBook Neo reside no seu “coração”. Ao contrário dos actuais MacBook Air e Pro, que utilizam os chips da série M, este novo modelo deverá utilizar processadores da série A, os mesmos que equipam os iPhones. As fontes apontam para a utilização do chip A18 Pro ou até do futuro A19 Pro. Esta mudança de arquitectura é fundamental para reduzir os custos de produção e permitir um preço de venda ao público significativamente mais baixo.
Ao adoptar um chip semelhante ao dos iPhone, a Apple consegue oferecer um bom desempenho em tarefas quotidianas, como navegação na web, edição de documentos e consumo de multimédia, mantendo uma eficiência energética excepcional. Esta estratégia permite à Apple posicionar o MacBook Neo abaixo do MacBook Air, criando uma nova hierarquia na sua linha de computadores.
Design compacto e cores vibrantes
O MacBook Neo deverá apresentar um ecrã de 12,9 polegadas, preenchendo o vazio deixado pelo antigo MacBook de 12 polegadas que foi descontinuado em 2019. Para manter o preço competitivo, que se especula vir a situar-se entre os 599 e os 799 dólares, a Apple terá de abdicar de algumas tecnologias premium. O painel do ecrã poderá ser menos brilhante do que os 500 nits do MacBook Air e não deverá incluir suporte para a gama de cores P3 ou a tecnologia True Tone.
No que toca à estética, a Apple parece querer atrair o público jovem e o sector da educação. O portátil deverá chegar ao mercado em cores vibrantes, incluindo azul, verde, amarelo e rosa. Esta escolha cromática, aliada a um chassis possivelmente mais leve, reforça a ideia de um dispositivo focado na portabilidade e no estilo, ideal para estudantes que precisam de um computador fiável para levar para as aulas.
Conectividade sem compromissos
Um dos pontos mais criticados no antigo MacBook de 12 polegadas era a presença de apenas uma entrada USB-C, o que obrigava os utilizadores a recorrer a adaptadores para carregar o dispositivo e ligar periféricos em simultâneo. Com o MacBook Neo, a Apple parece ter aprendido a lição. As fugas de informação indicam a inclusão de duas entradas USB-C e, crucialmente, de uma ligação de carregamento MagSafe.
No campo das comunicações sem fios, o dispositivo deverá suportar Wi-Fi 7. Curiosamente, os relatórios sugerem que a Apple poderá optar por um chip de conectividade da MediaTek em vez de uma solução interna, numa tentativa adicional de optimizar os custos. No entanto, o suporte para carregamento rápido e teclados retroiluminados poderá estar ausente nas configurações base, de forma a diferenciar este modelo das opções mais caras da gama.
O regresso ao segmento económico
A estratégia por trás do MacBook Neo é clara: recuperar terreno no mercado da educação e oferecer uma alternativa viável a quem procura o primeiro Mac. Com opções de armazenamento que começam nos 128 GB para o sector educativo e sobem até aos 512 GB para o público geral, a Apple está a desenhar um produto que pode finalmente competir com os portáteis Windows de baixo custo.
Se os rumores se confirmarem, o MacBook Neo será o portátil mais barato da história recente da Apple. Esta movimentação é vista como uma resposta necessária ao crescimento dos Chromebooks nas escolas e à necessidade de expandir a base de utilizadores do macOS. Ao oferecer um dispositivo que integra perfeitamente o ecossistema da marca — com iMessage, iCloud e continuidade com o iPhone — a um preço acessível, a Apple prepara-se para dominar uma fatia de mercado que tinha negligenciado nos últimos anos.