A Meta anunciou uma nova funcionalidade para o Instagram que promete dar aos pais um papel mais activo na monitorização da saúde mental dos filhos. A partir da próxima semana, a plataforma vai passar a enviar notificações directas aos progenitores caso os adolescentes realizem pesquisas repetidas sobre temas sensíveis e potencialmente perigosos, como o suicídio ou a automutilação. Esta medida surge num momento de elevada pressão política e judicial sobre a empresa liderada por Mark Zuckerberg.
Vigilância reforçada
O novo sistema de segurança funciona de forma integrada nas ferramentas de supervisão do Centro de Família. Quando um jovem tenta procurar termos relacionados com danos físicos próprios de forma insistente, num curto espaço de tempo, o Instagram activa um mecanismo de alerta. Embora a rede social já bloqueie este tipo de resultados e apresente contactos de linhas de apoio, a grande novidade reside no aviso imediato aos pais.
Estes alertas podem chegar através de mensagens de texto (SMS), via WhatsApp ou por notificações dentro da própria aplicação. Ao clicar no aviso, o encarregado de educação tem acesso a uma mensagem de ecrã inteiro com recursos especializados. O objectivo passa por oferecer orientações de especialistas sobre como abordar o tema e como prestar o melhor apoio psicológico aos menores.
Pressão judicial
O anúncio desta ferramenta não acontece por acaso. A Meta está a enfrentar diversos processos judiciais que alegam que as suas plataformas contribuem para problemas de saúde mental nos jovens. Recentemente, o CEO do Instagram, Adam Mosseri, foi alvo de duras críticas ao afirmar que não considera o tempo excessivo de ecrã como uma dependência clínica. A opinião pública interpretou estas palavras como uma tentativa de desviar as responsabilidades da “Big Tech” em prol do lucro.
Também Mark Zuckerberg esteve a testemunhar em tribunal sobre este tema. Assim, o lançamento desta funcionalidade é visto por muitos analistas como uma manobra estratégica para melhorar a imagem da empresa perante os legisladores e a sociedade civil. A Meta está a tentar demonstrar que a segurança dos utilizadores mais novos é uma prioridade, numa altura em que a regulação das redes sociais está a tornar-se cada vez mais apertada.
Limitações do sistema
Apesar do avanço tecnológico, a ferramenta tem limitações importantes. O sistema apenas funciona se as ferramentas de supervisão parental estiverem activas. Isto significa que tantos os pais como os jovens têm de concordar com a monitorização, o que pode ser um obstáculo em famílias onde a comunicação já é difícil. Os adolescentes que procuram esconder a actividade online podem simplesmente recusar a activação destas opções, contornando assim a vigilância.
Futuro com IA
A Meta não pretende ficar por aqui e já planeia implementar mecanismos semelhantes nos seus assistentes de Inteligência Artificial. Esta expansão levanta novas questões sobre a privacidade, uma vez que a IA terá de analisar e sinalizar conversas privadas que contenham temas sensíveis. No entanto, a implementação de mecanismos de segurança é sempre um ponto positivo, independentemente das motivações, desde que ajudem a proteger os utilizadores mais vulneráveis no mundo digital.