As primeiras reacções ao lançamento do Pixel 10a não têm sido muito simpáticas para a Google: há várias críticas ao facto de o Pixel 10a ser, na prática, um Pixel 9a, já que os principais componentes são iguais nestes dois smartphones.
A principal voz de revolta foi a do youtuber de tecnologia Marques Brownlee, que publicou um vídeo intitulado ‘(Nunca) Tinha visto isto antes’, onde aponta uma série de situações em que prova que o Pixel 10a é decalcado do modelo lançado em 2025.
«Muitas vezes as marcas mudam apenas uma coisa ou outra, mas este é basicamente o mesmo smartphone. E isto, acho que nunca vi acontecer», diz MKBHD logo ao início do seu vídeo. No entanto, também o youtuber está a ser criticado, uma vez que vários comentários lembram que a Apple também já fez isto com alguns iPhones: um dos exemplos mais citados é o do iPhone 13 / iPhone 14.
Será que Marques Brownlee tem razão nas acusações que faz à Google ou é um exagero dizer que o Pixel 10a é igual ao 9a? A PCGuia foi ver em detalhe tudo o que muda e o que se mantém no novo smartphone de gama média Pixel (com a ajuda do GSM Arena): a conclusão inicial é a de que o youtuber tem alguma razão no que diz.
Comecemos por fora: ambos têm uma estrutura semelhante, com uma frente em vidro, moldura em alumínio e traseira em plástico. No entanto, o Pixel 10a passa a utilizar Gorilla Glass 7i, enquanto o Pixel 9a tem Gorilla Glass 3. O módulo de câmaras deixa ainda de estar saliente e passa a estar totalmente à face da traseira.
No que respeita às dimensões e peso, os números são praticamente idênticos: o Pixel 9a mede 154,7 x 73,3 x 8,9 mm e pesa 186 gr; o 10a tem 153,9 x 73 x 9 mm e 183 gr. O novo modelo é ligeiramente mais compacto (-0,8 x -0,3 mm), 0,1 mm mais espesso e três gramas mais leve; a nível da protecção, continuamos com IP68.
Relativamente ao ecrã, apesar de ambos terem um P-OLED de 6,3 polegadas (1080 x 2424) e taxa de actualização de 120 Hz, há diferenças no brilho máximo: o Pixel 9a tem 1800 nits (HBM) e 2700 de pico, enquanto o 10a sobe para os 2000 (HBM) e 3000, respectivamente. Esta é, aliás, uma das diferenças sublinhadas pela Google (ser 10% mais brilhante) para promover o modelo deste ano.
Sobre o sistema operativo, ambos contam com Android 16: o 10a vem com esta versão já instalada, enquanto o 9a, apesar de ter sido lançado, obviamente, com o Android 15, pôde ser actualizado para a mais recente.
Na conectividade, o Pixel 10a passa a ter Bluetooth 6.0, quando o 9a tinha 5.3; a comunicação por satélite em casos de emergência (SOS) é, também, um upgrade do smartphone lançado pela Google esta semana. Em termos de carregamento, mais mudanças: o 10a tem 30 W com fio e 10 W por indução contra os 23 W e 7,5 W do 9a.
Com a cor e o preço da versão de 256 GB fechamos o capítulo das mudanças: em vez de Íris (azul), Peónia (rosa) e Porcelana (branco), passa a haver Neblina (verde claro), Framboesa (vermelho claro) e Lavanda (lilás claro). O Pixel 10a com mais armazenamento fica ainda quarenta euros mais caro que o 9a respectivo: de 619 passou para 659 euros.
Se estas são todas as mudanças de um modelo para o outro, é fácil perceber o que se manteve: processador, câmaras, memória, conectividade geral e bateria são uma cópia do modelo de 2025, pelo que as diferenças de desempenho serão, ao que tudo indica, mínimas ou mesmo inexistentes.
Desta forma, no Pixel 10a temos o mesmo Google Tensor G4 (4 nm) octa-core e a mesma GPU Mali-G715 MP7, 8 GB de memória, iguais capacidades de armazenamento, câmaras fotográficas totalmente transpostas do Pixel 9a (traseiras de 48 MP, f/1.7 + 13 MP, f/2.2; frontal de 13 MP, f/2.2) e a norma Wi-Fi 802.11 a/b/g/n/ac/6e. Finalmente, a bateria continua com 5100 mAh.
Avaliando tudo o que muda e se mantém no Pixel 10a relativamente ao 9a, é muito difícil dizer que estamos perante um smartphone que represente um grande salto entre gerações. Tendo em conta que o modelo do ano passado pode ser comprado por 459 euros (128 GB) e 559 euros (256 GB), torna-se quase impossível optar pelo deste ano. Contudo, nada como um teste para tirar a limpo esta primeira impressão, que em breve será publicado na PCGuia.