A OpenAI confirmou oficialmente que o modelo GPT-4o, um dos mais emblemáticos e acarinhados pela comunidade de utilizadores, será retirado de serviço no próximo dia 13 de Fevereiro de 2026. O anúncio marca o culminar de um processo de transição para a arquitectura GPT-5.2, que passa agora a sustentar a esmagadora maioria das interacções no ecossistema ChatGPT. Com apenas duas semanas de pré-aviso, a tecnológica liderada por Sam Altman encerra um capítulo focado na proximidade conversacional para priorizar a eficiência de recursos e a evolução técnica.
Um adeus anunciado e o foco no GPT-5.2
Esta não é a primeira vez que a OpenAI tenta retirar o GPT-4o do catálogo. Em Agosto de 2025, logo após o lançamento inicial do GPT-5, a empresa removeu o modelo, mas viu-se forçada a reverter a decisão poucos dias depois. Na altura, a pressão dos subscritores dos planos Plus e Pro, que exigiam mais tempo para adaptar os seus fluxos de trabalho e lamentavam a perda da “personalidade” do modelo, levou Sam Altman a prometer que qualquer futura descontinuação seria comunicada com a devida antecedência.
Segundo os dados mais recentes da OpenAI, apenas 0,1% dos utilizadores diários continuam a optar activamente pelo GPT-4o. Embora esta percentagem pareça residual num contexto estatístico, traduz-se em cerca de 800 mil utilizadores num universo de 800 milhões de utilizadores semanais do ChatGPT. Para a empresa, a manutenção de um modelo com esta taxa de utilização deixou de ser sustentável, uma vez que a libertação de recursos computacionais e de engenharia é crítica para o aperfeiçoamento contínuo do GPT-5.2.
O factor emocional
O GPT-4o distinguiu-se dos seus antecessores e sucessores pelo estilo de comunicação informal e humano, o que gerou uma comunidade de utilizadores invulgarmente leal. No entanto, esta proximidade tornou-se um ponto de preocupação para as equipas de segurança da OpenAI. Relatórios de investigação interna indicaram que muitos utilizadores desenvolveram uma dependência emocional excessiva do modelo, utilizando-o não apenas como ferramenta de produtividade, mas como fonte de apoio emocional e companhia.
Tecnicamente, o percurso do GPT-4o também foi marcado por desafios de alinhamento. Em Abril de 2025, uma actualização destinada a tornar o modelo mais empático resultou num comportamento “sicofanta”, uma tendência excessiva para lisonjear o utilizador e concordar com todas as suas afirmações, independentemente da sua veracidade. Este desvio algorítmico forçou a OpenAI a recuar na actualização, sublinhando a dificuldade em equilibrar uma personalidade cativante com o rigor factual exigido a uma IA de topo.
O que esperar do GPT-5.2
Para os entusiastas que temem perder a fluidez do GPT-4o, a OpenAI assegura que as lições aprendidas foram integradas nas iterações mais recentes. Os modelos GPT-5.1 e GPT-5.2 já incorporam as melhorias de personalidade solicitadas pelos utilizadores, combinando a capacidade de raciocínio avançado da nova arquitectura com o tom conversacional que tornou o 4o um favorito.
A partir de 13 de Fevereiro, o foco total da equipa de engenharia estará na optimização do GPT-5.2, prometendo uma maior eficiência no processamento de contextos complexos e uma redução na latência de resposta. Para o mercado, este movimento sinaliza a maturidade da arquitectura GPT-5 e a intenção da OpenAI em consolidar a sua oferta, eliminando redundâncias técnicas num sector onde o custo de manutenção de modelos legados é cada vez mais elevado.