A Meta, a empresa que detém redes sociais Facebook, Instagram e WhatsApp, liderada por Mark Zuckerberg, está a preparar o lançamento de uma aplicação independente para o Vibes, o feed dedicado exclusivamente a vídeos gerados por Inteligência Artificial. A decisão, confirmada após o sucesso moderado da funcionalidade dentro da app Meta AI, sinaliza uma mudança estratégica: a transição de uma rede social baseada em interacções humanas para um ecossistema onde o conteúdo sintético assume o protagonismo no consumo de entretenimento digital.
Do Meta AI para o mercado global
O Vibes não é uma novidade absoluta no ecossistema da empresa. Introduzido em Setembro de 2025 como uma funcionalidade integrada na aplicação Meta AI, o serviço permite aos utilizadores criarem vídeos verticais, o formato popularizado pelo TikTok e pelo Instagram Reels, através de comandos de texto. No entanto, a Meta acredita agora que o formato tem importância suficiente para sustentar uma plataforma própria.
Em comunicado oficial, a empresa sublinhou que a criação de uma app separada visa oferecer um ambiente “mais focado e imersivo”. Tecnicamente, esta separação permite à Meta iterar sobre a interface e as ferramentas de edição de vídeo sem sobrecarregar a aplicação principal de IA, que serve propósitos mais generalistas, como a assistência produtiva ou a pesquisa de informação.
A estratégia por trás da fragmentação e dos algoritmos
A decisão de isolar o Vibes responde a uma tendência identificada pela Meta durante as apresentações de resultados recentes. Durante a apresentação de resultados de Outubro de 2025, a tecnológica revelou planos para injectar agressivamente imagens e vídeos gerados por IA nos algoritmos de recomendação das suas plataformas principais (Facebook e Instagram).
Ao criar uma aplicação dedicada, a Meta cria um “laboratório de dados” puro. Aqui, o algoritmo de recomendação não precisa de equilibrar as actualizações de amigos ou familiares com o conteúdo sugerido; pode focar-se inteiramente em perceber que tipo de estética e narrativa sintética retém o utilizador por mais tempo. É uma abordagem puramente técnica ao engagement, onde o conteúdo é gerado a pedido ou sugerido com base em padrões de consumo de “AI slop”, o termo frequentemente usado na indústria para descrever o fluxo contínuo de conteúdos gerados por máquinas.
O duelo com a OpenAI e o futuro do conteúdo sintético
O movimento da Meta é uma resposta directa à evolução da OpenAI e da sua aplicação Sora. Enquanto a OpenAI tem procurado parcerias de alto perfil, como o recente acordo com a Disney para permitir que utilizadores criem conteúdos com personagens icónicas, a Meta parece apostar na escala e na acessibilidade.
A infra-estrutura da Meta, que já conta com modelos de linguagem de larga escala (LLM) e modelos de difusão de vídeo proprietários, permite-lhe oferecer estas ferramentas de forma gratuita ou subsidiada pela publicidade, algo que a OpenAI ainda luta para equilibrar devido aos elevados custos computacionais. Além disso, especula-se que a Meta possa vir a licenciar a imagem de celebridades para que estas possam “protagonizar” vídeos criados pelos utilizadores no Vibes, expandindo uma estratégia que já iniciou com os seus chatbots de personalidades.
O futuro das redes sociais parece, assim, afastar-se da “ligação entre pessoas” para se tornar uma montra de criatividade algorítmica. Se o Vibes conseguirá converter-se num fenómeno de massas ou se permanecerá um nicho para entusiastas da tecnologia, é uma questão que os próximos meses de testes comunitários irão ditar.