A Microsoft confirmou oficialmente que o Windows 11 ultrapassou a marca histórica de mil milhões de dispositivos activos em todo o mundo. O anúncio, feito pelo CEO Satya Nadella durante a mais recente apresentação de resultados financeiros da tecnológica, revela um dado surpreendente: o Windows 11 alcançou este marco em apenas 1576 dias, superando a velocidade de adopção do Windows 10, que necessitou de 1706 dias para atingir o mesmo volume de utilizadores. Este desempenho é particularmente notável se considerarmos o cepticismo inicial e as barreiras técnicas impostas no lançamento do sistema.
Uma corrida contra o tempo e o hardware
Quando o Windows 11 foi lançado, a estratégia da Microsoft parecia arriscada. Ao contrário das transições anteriores, a empresa impôs requisitos de hardware rigorosos, nomeadamente a obrigatoriedade do módulo TPM 2.0 e processadores de gerações mais recentes. Esta decisão deixou milhões de computadores perfeitamente funcionais, mas tecnicamente “obsoletos” para a nova versão, retidos no Windows 10.
Apesar deste entrave, a adopção deu sinais de uma aceleração inesperada. Enquanto o Windows 10 foi lançado com a meta agressiva de atingir mil milhões de dispositivos o mais rapidamente possível, um objectivo que a Microsoft falhou no prazo estipulado originalmente, o Windows 11 parece ter beneficiado de uma renovação natural do parque informático e de uma integração mais profunda em ambientes empresariais que dão prioridade à segurança nativa oferecida pelo novo kernel e pelas camadas de virtualização do sistema.
O paradoxo da popularidade e a estabilidade do sistema
O Windows 11 é, possivelmente, a versão mais bem-sucedida entre as ” mais criticadas” da história da Microsoft. Se recuarmos no tempo, sistemas como o Windows Vista ou o Windows 8 enfrentaram uma rejeição muito forte que se traduziu em números de vendas medíocres. O Windows 11, por outro lado, vive num paradoxo: embora a comunidade técnica e os entusiastas apontem falhas na consistência da interface e na estabilidade de certas actualizações, o utilizador comum e o mercado empresarial parecem ter abraçado a plataforma como uma ferramenta de produtividade fiável.
Contudo, este crescimento não apaga os desafios recentes. A Microsoft tem sido criticada pela introdução agressiva de funcionalidades de Inteligência Artificial (IA), como o Copilot, que nem sempre são bem recebidas por quem procura um sistema operativo minimalista e focado no desempenho. Além disso, relatos de uma ligeira degradação na estabilidade geral do sistema em builds recentes têm colocado pressão sobre a equipa de desenvolvimento em Redmond.
O futuro na era da Inteligência Artificial
Com mil milhões de utilizadores, o Windows 11 deixa de ser o “novo sistema” para se tornar o padrão de mercado. Para a Microsoft, o desafio agora é a retenção e a recuperação da confiança. A empresa prometeu que o Windows 11 continuará a evoluir para satisfazer as necessidades de programadores, gamers e profissionais de produtividade, mas terá de equilibrar a sua visão futurista de um PC movido a IA com a necessidade básica de um sistema operativo robusto e previsível.
Este marco prova que, apesar das exigências de hardware e das polémicas, a estratégia de modernização da Microsoft está a dar frutos. O Windows 11 não é apenas um sucessor; é agora o pilar central do ecossistema de computação pessoal da Microsoft, preparando o caminho para o que a empresa designa como a era dos “AI PC”.