Durante muito tempo, os bons contabilistas eram como Ben Affleck em ‘The Accountant’: capazes de decifrar segredos ocultos nos números, onde cada linha escondia mais do que parecia. Hoje, esses segredos vivem em aplicações, algoritmos e integrações directas com o Estado. Quase sem darmos por isso, surgiu uma nova geração de plataformas de automação financeira e fiscal, onde a contabilidade deixa de ser um serviço separado e passa a estar integrada no próprio fluxo do negócio – sem mistério nem heróis solitários.
Exemplos como a FIZ ou a Rauva ajudam a perceber a dimensão da mudança. A primeira actua como uma plataforma de facturação integrada com a Autoridade Tributária, automatizando a emissão de facturas, a aplicação de regras fiscais e a comunicação de dados ao Estado. A segunda vai um passo além, ao combinar contas bancárias empresariais com facturação certificada, classificando automaticamente entradas/saídas de dinheiro e ligando, num único sistema, dados financeiros e fiscais.
Em ambos os casos, tarefas que durante décadas exigiram intervenção constante de contabilistas passam a ser executadas por software, de forma contínua e cada vez mais autónoma.
Se estas aplicações já conseguem ler faturas, interpretar regras fiscais, validar movimentos e comunicar automaticamente com o Estado, o salto seguinte é óbvio: alertas, previsões, optimizações básicas e relatórios automáticos. Falta pouco. E esse “pouco” chama-se IA.
Isto não significa o fim imediato dos contabilistas. Significa algo mais incómodo: serão necessários menos contabilistas. E os que ficarem terão um papel diferente, menos preenchimento de campos, mais análise, auditoria e aconselhamento.
A pergunta não é se ‘vai acontecer’, será antes ‘quem vai perceber’ – como Jennifer Lopez – que não precisava de um Ben Affleck para carregar em ‘Submeter’.