Uma equipa de investigadores belgas revelou a WhisperPair, uma vulnerabilidade que permite a piratas informáticos assumirem o controlo de auscultadores e colunas de som Bluetooth de forma remota, sem qualquer interacção do utilizador.
O perigo espreita a curta distância
A vulnerabilidade, identificada pelo grupo de Segurança Informática e Criptografia Industrial da Universidade KU Leuven, na Bélgica, tira partido de uma implementação defeituosa do protocolo Google Fast Pair. Segundo os especialistas, um atacante posicionado num raio de até 14 metros — o limite prático do Bluetooth — consegue sequestrar um dispositivo vulnerável em menos de 15 segundos. O processo é assustadoramente simples: o pirata apenas necessita de identificar o modelo do acessório e, através de um computador ou até de um simples Raspberry Pi, forçar a ligação. “Pode estar a caminhar na rua a ouvir música e, num ápice, podemos assumir o controlo do seu equipamento”, explicou Sayon Duttagupta, um dos investigadores responsáveis pela descoberta.
Privacidade em risco: do microfone à localização
Uma vez estabelecida a ligação, as consequências para a privacidade são severas. A falha WhisperPair permite que o atacante active o microfone dos auscultadores para ouvir o som ambiente ou conversas privadas, injecte áudio indesejado ou interrompa a reprodução. Mais grave ainda é a possibilidade de monitorização geográfica. Ao ligar o acessório a uma conta Google controlada pelo atacante, este pode utilizar a rede “Encontrar o meu dispositivo” (Find Hub) para rastrear a localização exacta do utilizador em tempo real. Este risco estende-se mesmo a quem não utiliza smartphones Android, uma vez que a falha reside no firmware do acessório de áudio e não no sistema operativo do telemóvel.
Marcas de renome na lista de vulneráveis
A investigação identificou 17 modelos de 10 fabricantes diferentes com certificação Google Fast Pair mas falham em validar se o dispositivo está, de facto, em modo de emparelhamento. Entre os equipamentos afectados encontram-se modelos populares como os Sony WH-1000XM4, XM5 e os recentes XM6, além de dispositivos da Nothing, JBL, Xiaomi, Marshall e OnePlus. A Google já reagiu, afirmando que notificou os parceiros de hardware em Setembro passado e que forneceu as correcções recomendadas. No entanto, a responsabilidade de lançar as actualizações de segurança recai sobre cada fabricante. No caso dos Pixel Buds, a gigante tecnológica confirmou que os seus auriculares já se encontram devidamente protegidos.
Como proteger o seu equipamento
A principal dificuldade na resolução deste problema reside no comportamento dos utilizadores. Muitos raramente instalam as aplicações oficiais das marcas (como a da Sony ou da JBL), que são o único veículo para actualizar o firmware destes periféricos. Para garantir que não está a ser vigiado, a recomendação é clara: verifique de imediato se existem actualizações pendentes para os seus auscultadores ou colunas Bluetooth. Enquanto o ficheiro de actualização não for instalado, o dispositivo permanecerá uma porta aberta para qualquer atacante nas proximidades.