O mercado português de jogo online parece ter entrado numa nova fase de maturidade. No terceiro trimestre de 2025, os operadores licenciados em Portugal geraram uma receita bruta de «297,1 milhões de euros».
Isto corresponde a um «crescimento de 3,5% face ao segundo trimestre e de 11,6% em termos homólogos», segundo os dados do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ) analisados pela Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online (APAJO).
Em paralelo, o Imposto Especial de Jogo Online rendeu ao Estado 89,8 milhões de euros, mais 8,8% do que no mesmo período de 2024, confirmando a importância fiscal deste sector, sublinha a mesma entidade.
Apesar destes números elevados, o ritmo de crescimento está a “arrefecer”. Depois de vários anos com subidas anuais próximas dos 30%, «impulsionadas pela migração do jogo presencial para o digital», os três primeiros trimestres de 2025 apontaram para um crescimento acumulado de apenas 10% face a 2024.
Entre Julho e Setembro, o aumento de 11,6% em termos homólogos representa mesmo o «crescimento mais baixo de sempre num terceiro trimestre desde a liberalização do sector», diz a APAJO. Este “travão” sente-se com mais força nas apostas desportivas: apesar de um «crescimento homólogo de 9,4%», as receitas deste segmento «caíram 8,7% face ao trimestre anterior».
Ainda assim, o volume apostado «aumentou 10,3% em cadeia, para mais 47,3 milhões de euros, e 4,4% em termos homólogos», o que significa que os operadores tiveram «margens mais baixas»: desceram para 19,8% depois de três trimestres acima dos 22%.
Nos jogos de casino online, o cenário é mais estável: as receitas brutas subiram 12,7% face ao terceiro trimestre de 2024 e 11% em relação ao trimestre anterior, o equivalente a «mais 19,6 milhões de euros». Contudo, a APAJO nota que este é o crescimento homólogo «mais reduzido de sempre num terceiro trimestre».
Também do lado dos utilizadores surgem sinais claros de abrandamento: o número de contas activas «caiu 3,9% em termos homólogos», apesar de ter crescido ligeiramente, 0,9%, face ao trimestre anterior. Os novos registos recuaram de forma ainda mais expressiva: menos 22,7% que há um ano e menos 1,2% em relação ao segundo trimestre.
Já as contas autoexcluídas «diminuíram 4,4% em termos homólogos e 2% em cadeia»; o total aumentou 4,8% face ao trimestre anterior e 23,9% em relação a 2024. Mesmo assim, trata-se do crescimento homólogo «mais baixo de sempre e do menor aumento trimestral dos últimos oito anos», conclui a APAJO. O estudo completo do SRIJ pode ser visto aqui.