Desde que nasci, já vivi uma meia dúzia de revoluções tecnológicas: os telemóveis, os computadores pessoais, a Internet, o GPS, as embalagens de abertura fácil que se abrem facilmente e, agora, a IA. Se todas são importantes, esta é fundamental para definir como vamos viver como sociedade no futuro.
Quinhentos mil milhões de dólares. É o investimento que se está a fazer no desenvolvimento de IA — mais do dobro do orçamento anual da União Europeia ou o equivalente a cinco anos do orçamento de Portugal. É o maior de sempre numa tecnologia, aquela que terá mais consequências na nossa vida (até vir a próxima).
A grande questão é se vai dar retorno. Se os 950 milhões de utilizadores previstos para 2030 pagarem uma mensalidade de 37 euros, o problema está resolvido. Só que apenas 5% dos utilizadores de LLM estão interessados em ter mais uma subscrição na sua vida. E há outro problema: Sam Altman, CEO da OpenAI, diz que é preciso mais um trilião só para infraestrutura. Mensalidade nova com 5% de pagantes: 745 euros.
O potencial impacto económico é imensurável. A economia global e as relações entre pessoas vão mudar para sempre. Mas, para melhor? Se investissem os quinhentos mil milhões de dólares dólares em Educação, energia limpa e transição verde, Ciência e Investigação, o impacto social seria gigantesco e duradouro: milhões de novos empregos, maior qualidade de vida, mais produtividade, com os dividendos a chegar a todas as classes sociais.
‘A IA faz isso tudo’, dizem os mesmos poucos gajos obscenamente ricos que beneficiam dela. Até agora, a IA tem sido mais destrutiva que criativa: suicídio, alienação, mentiras em massa. Mas que importa isso se um grupo restrito pode ficar ainda mais rico? É verdade que pode acelerar a inovação, automatizar processos e aumentar a produtividade, mas terá um impacto social limitado e de curta duração se não for acompanhada de políticas redistributivas e educativas.
É uma tecnologia incrível, com um potencial inimaginável. Mas também o era a bomba nuclear. A questão é: o que faremos quando nos rebentar nas mãos?