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O Que Vem à RedeOpinião

Os memes da guerra

Alexandre Gamela
Publicado em 22 de Maio, 2022
Tempo de leitura: 2 min
gaming
Onur Binay/Unsplash

A nossa bolinha azul no canto do universo, cheia de tendências autodestrutivas, não sabe a quantas anda e não há tractor ucraniano que nos valha. Não queria falar disto, mas tem de ser.

Os telejornais andaram a explorar a pornografia do bélico, arte em que se especializaram desde a Guerra do Golfo – Parte 1. Mas o poder de choque da imagem televisiva perdeu-se, diluído por filmes fantásticos de estética hiper-realista. Após a sua experiência-catástrofe, as vítimas dizem frequentemente aos microfones das televisões que “parecia um filme”.

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A transposição do real para um plano ficcional agrava-se online. A narrativa é fragmentada em títulos de artigos que não são lidos, mas prontamente comentados, em criações artísticas e humorísticas que ganham estatuto de jornalismo e comentário paralelos aos meios tradicionais (i.e. ultrapassados). Cenários virtuais de jogos onde a destruição é diversão são publicados e partilhados como reais, sabe-se lá com que agenda. As fake news são o novo marketing de guerrilha.

Mas a guerra não é um jogo em livestream no Twitch: afecta ossos, tecidos moles, relações, sonhos, futuros. Estilhaça-os. Não é um espirrar de sangue digital seguido de um respawn.

Felizmente, há memes, a unidade básica de informação online que nos ajuda a passar o tempo e a ultrapassar os horrores do dia-a-dia. Têm tanto peso que, em breve, ministérios da Defesa do mundo inteiro irão investir em tractores em vez de submarinos. “GTA Kiev, LOL”.

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Entretanto, tropas no terreno usam tecnologia de reconhecimento facial nos cadáveres dos soldados inimigos para notificar as famílias da morte dos seus filhos, pais e irmãos, via redes sociais. “Headshot!”.

A guerra moderna é fascinante, não é? Mas duvido que a família de refugiados que agora vive por cima de mim lhe ache grande piada. Para eles, este filme não é um jogo. É a vida que têm agora. É a vida que deixaram de ter.

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Etiquetas:Fake newsguerramemesOpiniãoredes sociaisTwitch
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