A Sony registou uma nova patente centrada em inteligência artificial que tem o enorme potencial de alterar radicalmente a forma como interagimos com os videojogos. Esta tecnologia utiliza modelos de aprendizagem automática para estudar as tácticas dos utilizadores e adaptar o comportamento dos inimigos de forma totalmente dinâmica. A inovação foca-se essencialmente em títulos para um jogador com uma forte componente de combate. O sistema permite controlar a distância entre as personagens e o tempo exacto dos ataques, o que cria um desafio constante e imprevisível. A par de outras inovações recentes, como a patente que transforma comandos da PlayStation em terminais de pagamento, a empresa japonesa foca-se agora em redefinir a própria jogabilidade. A mecânica pode transformar por completo as aventuras a solo.
O fim da memorização de padrões
O impacto desta mecânica promete ser profundo e duradouro. Jogos de acção complexos podem ganhar um valor de repetição quase infinito se os chefes finais conseguirem contrariar activamente a estratégia de quem tem o comando nas mãos. No entanto, a implementação levanta algumas dúvidas sobre a verdadeira diversão da experiência. Títulos clássicos como Ninja Gaiden, Dark Souls e Devil May Cry mantêm comunidades activas há décadas precisamente porque exigem a memorização dos padrões dos adversários. Retirar essa previsibilidade aumenta a complexidade, mas altera a essência do género. Actualmente, os mais recentes capítulos das sagas Tekken e Street Fighter já utilizam sistemas semelhantes através de fantasmas dos jogadores, os quais aprendem respostas comuns sem necessitarem deste modelo específico. O uso de leitura de comandos permite que os oponentes tenham reflexos perfeitos, a reagir no exacto momento em que um botão é pressionado.
O perigo da exclusividade
O grande receio da comunidade prende-se com a exclusividade destas ferramentas. O mercado já assistiu a uma situação semelhante quando a produtora Monolith e a editora Warner Bros registaram o sistema Nemesis do jogo Middle-Earth: Shadow of Mordor. Essa acção bloqueou a utilização de mecânicas idênticas noutros projectos da indústria, o que gerou forte descontentamento. Existe agora o risco de a gigante nipónica fechar esta inteligência artificial adaptativa no seu próprio ecossistema, possivelmente a limitar a funcionalidade a futuros títulos da PlayStation. Resta aguardar para perceber como esta tecnologia vai ser integrada e se a indústria conseguirá aceder a ferramentas equivalentes no futuro.
