O cancro é uma das doenças mais complexas de tratar devido à sua incrível capacidade de adaptação. Agora, uma equipa de cientistas do Baylor College of Medicine desenvolveu um fármaco experimental, baptizado CS18, que promete destruir as defesas que os tumores utilizam para sobreviver aos tratamentos convencionais. A descoberta foi publicada na revista Science Advances e partilhada no final de Setembro de 2026, segundo o site Science Daily. O novo composto não só fortalece as terapias já existentes, como também consegue restaurar a sensibilidade aos medicamentos em células de cancro do pulmão que se tinham tornado imunes.
A resistência terapêutica continua a ser um dos principais obstáculos para alcançar a cura definitiva. O médico Weei-Chin Lin, professor na instituição responsável pelo estudo, explica que muitos pacientes acabam por sofrer recaídas porque as células cancerígenas activam vias biológicas compensatórias. Estes mecanismos de emergência permitem aos tumores superar os efeitos tóxicos da quimioterapia ou da radioterapia, por isso a equipa texana focou-se em encontrar soluções moleculares avançadas para desactivar a rede de sobrevivência da doença.
O centro de controlo dos tumores
Em vez de concentrar esforços numa única via, os especialistas decidiram atacar um verdadeiro quadro de distribuição biológico. O alvo escolhido foi a proteína TopBP1, uma estrutura vital que ajuda a regular múltiplos processos associados ao crescimento e à sobrevivência do cancro. Ao interferir com este ponto de controlo central, os investigadores queriam perceber se conseguiam produzir respostas mais duradouras e travar a capacidade de adaptação das células malignas.
Dentro desta proteína, existe um interruptor específico chamado BRCT7/8. Esta zona interage com vários reguladores fundamentais do crescimento tumoral, incluindo o MIZ1 e o p53 mutante, que adquire funções perigosas para o organismo e incentiva a proliferação da doença. Para encontrar uma molécula capaz de bloquear este interruptor, a equipa passou a analisar milhares de compostos químicos através de uma combinação de modelação informática e testes de laboratório. A pesquisa inicial identificou um composto conhecido como 3B6, que foi posteriormente modificado ao longo de várias tentativas até se chegar à versão mais eficaz de todas, o CS18.
Resultados promissores em laboratório
A acção do novo medicamento provou ser devastadora para os mecanismos de defesa do cancro. Quando o CS18 se liga ao interruptor biológico, as actividades prejudiciais das proteínas diminuem substancialmente. Os processos envolvidos na reparação do ADN tumoral tornam-se menos activos, deixando as células doentes muito mais susceptíveis à morte. Simultaneamente, o fármaco aumenta a actividade dos genes responsáveis por travar o crescimento descontrolado, reduzindo de forma drástica o escudo protector criado pela patologia.
Os efeitos positivos foram observados em diversos tipos de células malignas, desde o cancro da mama triplo negativo até à leucemia mielóide aguda e ao cancro do ovário. Uma das grandes vantagens desta substância reside na sua baixa toxicidade para as células saudáveis do paciente. Os resultados tornaram-se ainda mais impressionantes quando o CS18 foi combinado com tratamentos oncológicos já em uso corrente nas clínicas. A junção desta novidade com inibidores PARP ou com o medicamento osimertinib eliminou as células cancerígenas com uma eficácia muito superior à registada quando as terapias foram aplicadas de forma isolada.
No caso específico do cancro do pulmão, a adição do CS18 conseguiu restaurar completamente a sensibilidade das células ao osimertinib. Os ensaios em modelos animais demonstraram uma redução significativa do crescimento dos tumores, sem provocar perda de peso acentuada ou outros sinais de toxicidade nos espécimes testados. Face a estas evidências sólidas, os autores do estudo sugerem que o composto justifica um desenvolvimento clínico aprofundado para se tornar um futuro pilar nas terapias combinadas, de modo a evitar que a resistência aos tratamentos volte a emergir.
