A aplicação do WhatsApp para Windows está a causar dores de cabeça aos utilizadores. A transição do programa para uma arquitectura baseada na web transformou o serviço num autêntico pesadelo de desempenho, chegando a consumir 1,2 GB de memória RAM durante uma utilização normal.
O problema começa logo no arranque. Antes mesmo de o utilizador iniciar a sessão, o software já ocupa cerca de 400 MB de memória. Após entrar na conta e percorrer algumas conversas, este valor dispara facilmente para a marca dos 1,2 GB. Quando a aplicação fica inactiva em segundo plano, continua a reter cerca de 600 MB.
Esta situação gera frustração, especialmente por se tratar de um produto da Meta, uma empresa avaliada em biliões de dólares e com vastos recursos técnicos. Enquanto a gigante tecnológica prepara a introdução de subscrições pagas com opções de personalização extra e até estuda a implementação de planos premium para as suas principais redes sociais, a versão gratuita para computadores parece ter sido deixada ao abandono no que toca à optimização.
O fim da fluidez e o peso do WebView2
A raiz deste problema reside na mudança tecnológica implementada pela Meta. A antiga versão UWP (Universal Windows Platform) era leve, rápida e consumia menos de 100 MB de RAM, mesmo com dezenas de grupos activos. No entanto, a nova iteração é, na verdade, um “web wrapper”. Isto significa que a aplicação carrega a versão web dentro de um contentor baseado em Chromium, utilizando o motor WebView2 da Microsoft.
O resultado é uma experiência lenta e pesada. Enviar uma mensagem gera um atraso notório até aparecer o primeiro visto de confirmação, o que dá a sensação de que a comunicação está a falhar. Alternar entre conversas demora mais de um segundo e o simples ato de percorrer as mensagens perdeu toda a fluidez.
Em computadores mais antigos, o cenário agrava-se de forma drástica. Máquinas com processadores com alguns anos chegam a registar um consumo de CPU superior a 20% apenas por terem uma janela de chat aberta, o que prejudica a recepção e o envio de mensagens em tempo real.
Alternativas e problemas persistentes
Além da lentidão, multiplicam-se os relatos de bloqueios e falhas na entrega de mensagens. Quando o computador desperta do modo de suspensão ou de hibernação, é comum a sessão ser terminada de forma abrupta, obrigando a um novo início de sessão. Fechar a janela também não resolve o consumo de recursos, uma vez que o programa minimiza para a área de notificação e continua a devorar memória apenas para conseguir receber alertas.
Perante este cenário, muitos utilizadores optam por utilizar o WhatsApp Web directamente num browser, uma solução que, ironicamente, consegue ser mais rápida do que a aplicação dedicada para o sistema operativo da Microsoft.