O editor executivo da Apple admitiu o inevitável. Após meses a tentar absorver a escalada dos custos de produção, Tim Cook confirmou que os consumidores vão ter de pagar mais pelos próximos equipamentos da marca. A culpa é da enorme procura gerada pelos centros de dados de inteligência artificial, que estão a esgotar a capacidade de produção de memória e armazenamento a nível global.
O impacto da inteligência artificial nos custos
A situação tornou-se insustentável até para a gigante de Cupertino. O mercado tecnológico está a atravessar uma crise sem precedentes no fornecimento de componentes. A febre da inteligência artificial levou as grandes empresas a desviar a maior parte da produção de memórias DRAM e NAND. Como resultado, os preços dispararam. Tim Cook descreveu mesmo o actual cenário como a pior oscilação de preços que presenciou nos seus quarenta anos de carreira no sector da electrónica.
Esta inflação nos componentes afecta toda a indústria, mas a Apple tinha conseguido proteger-se graças ao seu enorme poder negocial. No entanto, essa barreira cedeu. A necessidade de integrar hardware mais potente para suportar as novas exigências de processamento, algo que ficou claro quando a empresa mostrou o futuro da sua inteligência artificial e do sistema operativo móvel, tem um preço elevado.
O que muda nos próximos lançamentos
Ainda não existe uma lista oficial dos equipamentos afectados, mas as estimativas apontam para que os modelos base do iPhone possam sofrer um agravamento superior a duzentos dólares. Esta subida de preços surge numa altura em que se prevêem mudanças profundas na estratégia de lançamento dos smartphones da marca.
Para o outono de 2026, o alinhamento já se adivinhava dispendioso. A Apple estreia o iPhone 18 Pro este ano, deixando a versão standard guardada para 2027. Além disso, a marca pode apresentar o aguardado iPhone Ultra dobrável, cujo preço inicial não deverá ficar abaixo dos dois mil dólares. No segmento dos computadores, a tecnológica traz ao mercado um MacBook de categoria Ultra, que tem um ecrã táctil e o futuro processador M6.
Os especialistas prevêem que os custos das memórias continuem elevados para lá de 2027. Resta saber como a Apple vai gerir o sucesso do seu recente MacBook de 599 dólares, um equipamento que abalou a indústria e cuja produção do modelo Neo deverá duplicar, mesmo perante este cenário de crise nos componentes.