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Inteligência ArtificialNotícias

Google quer comprar código privado a programadores para treinar Inteligência Artificial

A Google está a contactar programadores Android para comprar o acesso aos seus repositórios de código privado. O objectivo é treinar os modelos de Inteligência Artificial da empresa para fazer frente à concorrência.

Pedro Tróia
Publicado em 5 de Junho, 2026
Tempo de leitura: 5 min
Gemini
Imagem - Google
Neste artigo
  • As vantagens prometidas aos criadores
  • A corrida contra a concorrência
  • O valor dos dados privados

A gigante das pesquisas está a tentar melhorar a sua posição no mercado das ferramentas de programação baseadas em Inteligência Artificial. Para isso, a empresa começou a contactar criadores de aplicações Android com uma proposta invulgar: pagar pelo acesso aos seus repositórios de código privado para treinar os seus modelos de linguagem.

De acordo com o site Neowin, que cita uma denúncia anónima partilhada originalmente com o site 404 Media, a Google está a enviar e-mails confidenciais a vários profissionais. O objectivo é adquirir licenças não exclusivas que permitam analisar código real e de alta qualidade para ajudar a desenvolver novas ferramentas, sem que os autores percam os direitos de propriedade intelectual.

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As vantagens prometidas aos criadores

Na comunicação enviada aos programadores, a tecnológica detalha os benefícios desta parceria, apresentando-a como uma oportunidade única para transformar o ecossistema de desenvolvimento. Em primeiro lugar, a empresa destaca a possibilidade de gerar novas fontes de rendimento, uma vez que os profissionais são pagos para partilhar o código que faz funcionar as suas aplicações actuais, bem como projectos arquivados.

Além da vertente financeira, a Google sublinha o estatuto de pioneiro. Ao aceitarem participar nesta fase piloto, os programadores vão ajudar a moldar a forma como a empresa se vai relacionar com a comunidade no futuro. A tecnológica explica ainda que o código testado em ambiente de produção tem um impacto real e directo, sendo fundamental para compreender lógicas complexas e criar avaliações de programação mais precisas.

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Por fim, a proposta garante o controlo total por parte dos autores. A licença exigida não é exclusiva, o que significa que os programadores mantêm a totalidade da sua propriedade intelectual, a aplicação continua a ser inteiramente sua e preservam o direito de rentabilizar os seus dados em qualquer outra plataforma.

A corrida contra a concorrência

Esta iniciativa surge numa altura em que o modelo Gemini tem mostrado algumas dificuldades em acompanhar as ferramentas rivais. O GitHub Copilot continua a ser a referência no mercado para o preenchimento automático de código em tempo real. Por outro lado, o Claude Code da Anthropic tem ganho imensa popularidade na execução de fluxos de trabalho complexos, ao ponto de a Microsoft ter permitido que os seus próprios engenheiros o utilizassem, antes de começar a revogar essas licenças recentemente devido à sua adopção massiva.

A Google está ciente desta desvantagem e tem procurado inverter a situação. Durante o evento I/O 2026, a empresa revelou as versões Gemini 3.5 Flash e Pro, além de apresentar o Antigravity 2.0, uma resposta directa ao Claude Code para ajudar a orquestrar equipas de agentes autónomos.

O valor dos dados privados

Pagar pelo acesso a projectos proprietários é uma táctica relativamente recente na indústria, o que prova que as bases de código gratuitas disponíveis na Internet através de qualquer browser já não são suficientes para treinar algoritmos avançados. A necessidade de dados de qualidade é tão premente que a tecnológica tem tido de equilibrar a recolha de informação com a privacidade, e até criou mecanismos para que os gestores de páginas web possam recusar a utilização dos seus conteúdos nestes treinos.

Apesar de todo o foco na Inteligência Artificial, a empresa faz questão de tranquilizar os utilizadores e o mercado, e garante que o motor de busca clássico vai continuar a funcionar em paralelo com estas inovações. A estratégia de pagar por conteúdos não é exclusiva da Google; no ano passado, a Microsoft explorou uma ideia semelhante, mas focada em editoras de media, para lhes permitir definir termos de licenciamento e receber pagamentos sempre que as empresas de IA utilizassem os seus artigos.

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Etiquetas:Google
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