A Academia Chinesa de Ciências anunciou um projecto inovador e potencialmente controverso que visa testar o desenvolvimento de embriões humanos artificiais no espaço. A notícia, avançada pelo site ExtremeTech, revela que o objectivo passa por perceber como a ausência de gravidade afecta as fases iniciais da vida humana.
O que são embriões artificiais
Importa esclarecer que não se trata de embriões reais. São, na verdade, um conjunto de células humanas organizadas para imitar de perto um embrião em fase inicial, mas sem a capacidade de se desenvolverem num feto humano real. Esta distinção é fundamental, pois permite aos cientistas contornar as barreiras éticas que normalmente atrasam a investigação com células humanas.
Estes complexos multicelulares reúnem a maioria dos tipos de células encontrados num embrião nas suas primeiras etapas. A experiência inclui dois tipos diferentes de embriões artificiais, representando cerca de duas e três semanas de desenvolvimento.
A experiência em microgravidade
Após cinco dias de crescimento em órbita, cada uma destas amostras será congelada e analisada. Os dados preliminares recolhidos a bordo da estação podem ser consultados pelos investigadores na Terra, antes de as amostras regressarem ao nosso planeta para um estudo mais profundo. A data exacta da experiência não foi especificada, o que significa que o processo pode já estar a decorrer ou até ter sido concluído.
O grande objectivo é comparar o desenvolvimento destes análogos humanos com os que crescem em condições semelhantes no nosso planeta. Yu Leqian, professor no Instituto de Zoologia da Academia Chinesa de Ciências e líder do projecto, explica que as amostras foram levadas para o espaço para explorar se a vida, que evoluiu sob a influência da gravidade durante centenas de milhões de anos, é afectada pela sua ausência súbita.
Os desafios da reprodução no espaço
Os impactos da microgravidade podem ser mínimos ou extremos. O desenvolvimento fetal inicial pode ser facilmente afectado pela gravidade zero, o que levanta preocupações até para uma eventual gravidez acidental em órbita. Estudos recentes indicam que o espaço é inerentemente hostil à vida humana, não só pela falta de gravidade, mas também pelos elevados níveis de radiação.
Além disso, a microgravidade causa problemas reais na motilidade dos espermatozóides e na fertilização. Se o espaço representar problemas significativos, as soluções poderão passar por criar secções rotativas nas estações espaciais ou utilizar centrifugadoras de baixa velocidade, além de escudos contra raios cósmicos.
Com as empresas espaciais privadas a levarem cada vez mais civis para fora da Terra, a questão da reprodução humana no espaço será, inevitavelmente, posta à prova num futuro próximo.