A Nvidia prepara-se para agitar o mercado dos processadores para servidores com a sua nova plataforma Vera, baseada em arquitectura Arm. Desenhado para lidar com cargas de trabalho intensivas de inteligência artificial, este novo CPU promete ganhos substanciais de desempenho. O domínio da marca no hardware de IA tem levado outras gigantes tecnológicas a procurar alternativas, como aconteceu quando a Microsoft apresentou um novo chip para reduzir a dependência da Nvidia. Contudo, a Nvidia continua a inovar e a expandir o seu ecossistema de forma agressiva.
Um salto arquitectónico com os núcleos Olympus
Ao contrário do seu antecessor Grace, que utilizava núcleos Neoverse da Arm, o processador Vera integra 88 núcleos “Olympus” desenvolvidos internamente pela própria Nvidia. Este chip suporta a arquitectura Armv9.2, precisão FP8 e oferece 176 threads através de multithreading espacial. A acompanhar este poder de processamento está a compatibilidade com memória LPDDR5X, capaz de entregar até 1,2 TB/s de largura de banda, além de suporte para PCIe Gen 6 e conectividade CXL 3.1.
Desempenho que desafia a concorrência
De acordo com um teste preliminar publicado pelo site Phoronix, o Vera é o processador Arm para Linux mais rápido alguma vez testado pela publicação em mais de duas décadas. Os testes sintéticos colocam o novo CPU muito à frente do anterior Grace e dos processadores Xeon 6980P da Intel. A verdadeira batalha trava-se contra a AMD, com o Vera a trocar golpes directos com os modelos de topo Epyc 9755 e 975F, a destacar-se especialmente em tarefas de compressão 7-Zip e streaming de dados.
É importante notar que estes testes ocorreram num ambiente controlado na sede da Nvidia em Santa Clara, utilizando chips de pré-produção. Além disso, a monitorização do consumo energético e da frequência do CPU esteve desactivada, uma vez que a empresa ainda se encontra a optimizar a gestão de energia do chip para a versão final.
O futuro nos servidores e nos computadores pessoais
A estratégia da Nvidia não se fica pelos centros de dados. Enquanto o Vera consolida a posição da marca no mercado empresarial, espera-se que a empresa entre em breve no espaço dos processadores de consumo. Os rumores apontam para o lançamento de portáteis ainda este ano, com a Nvidia prestes a voltar ao mercado dos PC com chips Arm em máquinas Lenovo e Dell.
A curiosidade em torno deste hardware tem crescido de forma exponencial, especialmente depois de algumas imagens revelarem uma motherboard com o novo chip Nvidia N1 e 128 GB de memória, o que indicia um nível de desempenho gráfico integrado capaz de rivalizar com placas gráficas de secretária de gama média. Os próximos meses prometem ser decisivos para perceber até que ponto a Nvidia consegue replicar o seu sucesso dos GPU no mercado dos processadores centrais.