De vez em quando, a Fujifilm lá saca um coelho da cartola e foge ao ‘ram-ram’ habitual das máquinas que são mais acessórios de moda que outra coisa. Em 2025 já o tinha feito com a X Half, inspirada nas câmaras half-frame, um formato que usava rolos de 35 mm, com um design retro; e, agora, parece estar aí o segundo capítulo de uma abordagem mais nostálgica da marca japonesa: um modelo de design vertical claramente inspirado na Fujica Single-8. Traço comum aos dois modelos, além da estética, é o preço alto: 800 euros no caso da X Half e quase 400, nesta Instax Mini Evo Cinema.
A questão é perceber para que queremos uma máquina destas: se formos criadores de conteúdos em tempo de reels e stories para redes sociais, de facto os resultados de vídeo desta máquina podem ser algo de diferente no universo do 4K e da alta-definição. Mas, para isso, também é preciso que a nossa estética, enquanto criadores de conteúdo, esteja alinhada com a das imagens saídas de uma máquina que, indiscutivelmente, é uma peça assinalável de design — quase que dá vontade de usar a expressão que já se tornou parte da cultura pop: ‘Hang it in the Louvre’.
O ponto central da Instax Mini Evo Cinema é o Eras Dial e é aqui que assenta todo o conceito desta máquina: um selector rotativo dedicado aos efeitos de imagem e vídeo que segue o aspecto de imagens como se as estivéssemos a captar entre 1930 e 2020, com intervalos de dez anos; ao todo, temos quase um século de opções. Mas será que precisávamos mesmo de ter uma diferenciação entre 1930 e 1940, por exemplo? Alguém dará valor real a esta diferenciação? Esta pergunta acaba por poder ser aplicada a mais funções desta câmara, que talvez ficasse mais fácil de usar se a Fujifilm não começasse a complicar tanto com mais um anel na objectiva (com uma lente de 28 mm f/2.0) que permite alterar a cor entre tons mais quentes/mais frios e mesmo um menu onde é possível regular a exposição. Mesmo num formato compacto, a Fuji ainda conseguiu meter uma impressora, por isso podemos contar com fotos reveladas no momento: e, para isso, é preciso dar à manivela, um toque analógico para dar mais “humanidade” a um processo digital.
Distribuidor: Fujifilm
Preço: €379,99