A agência governamental norte-americana Darpa anunciou que o projecto Robotic Servicing of Geosynchronous Satellite (RSGS) vai ter o primeiro teste de lançamento no verão de 2026. Este robô espacial tem como objectivo realizar actualizações e reparar avarias simples em satélites que se encontram numa órbita geossíncrona.
O valor da órbita geossíncrona
O projecto foca-se nestes satélites porque são, por norma, muito mais caros e têm uma vida útil projectada bastante superior à dos equipamentos de órbita terrestre baixa (LEO). Enquanto empresas como a Starlink tratam os seus satélites como descartáveis e preferem desorbitar unidades problemáticas para a atmosfera superior, perder um satélite geossíncrono é um prejuízo difícil de aceitar.
A frustração é ainda maior quando a falha se deve a uma simples anomalia mecânica ou eléctrica. Na Terra, diagnosticar um problema destes seria tão simples como abrir um painel para aceder ao sistema e substituir uma peça, mas no espaço é, até agora, uma tarefa impossível.
Braços robóticos e parcerias de peso
Para tornar esta missão uma realidade, a Darpa atribuiu parte do contrato à Northrop Grumman, através da subsidiária SpaceLogistics, e trabalhou em conjunto com a NASA e o Laboratório de Pesquisa Naval dos Estados Unidos.
A carga principal do RSGS inclui um conjunto de braços robóticos desenvolvidos pela própria Darpa. Este sistema de manutenção altamente ágil é capaz de fazer actualizações em órbita, inspecções, resolução de anomalias e até a relocalização de satélites.
O futuro da manutenção espacial e os riscos ocultos
Se a ideia de criar centros de dados de inteligência artificial no espaço vier a concretizar-se, será necessário trocar componentes antigos por novos, algo que esta tecnologia pode vir a facilitar. Missões como o RSGS funcionam como uma prova de conceito para aplicações mais especializadas.
Apesar dos atrasos sofridos devido a problemas de agendamento, escassez de materiais durante a pandemia e questões alfandegárias, o projecto está a avançar. Contudo, como se trata de uma iniciativa da Darpa, existe a possibilidade de esta tecnologia ser adaptada para comprometer fisicamente outros satélites. O sistema pode ser direccionado para instalar equipamento de vigilância de forma furtiva ou cometer actos subtis de sabotagem, uma vez que existem poucos meios para detectar adulterações em satélites em órbita.
Ainda assim, se a tecnologia atingir a maturidade, pode ajudar a evitar perdas financeiras avultadas e a garantir a utilização contínua de equipamento científico insubstituível, para não repetir as dificuldades que os astronautas enfrentaram no passado ao tentar reparar o telescópio Hubble com as luvas desajeitadas dos seus fatos espaciais.