A necessidade de memorizar dezenas de palavras-passe para aceder a aplicações e sites é um dos grandes desafios da vida digital moderna. Embora as opções biométricas, como a leitura de impressões digitais ou o reconhecimento facial, ofereçam alternativas práticas, estas levantam frequentemente preocupações de privacidade. No entanto, uma nova funcionalidade de segurança pode resolver este problema ao utilizar um método invulgar. De acordo com um artigo da publicação PopSci, as vibrações naturais do nosso crânio podem servir como uma chave de acesso única.
O sistema, baptizado VitalID, é um software recém-desenvolvido que tira partido das micro vibrações geradas pelos batimentos cardíacos e pela respiração humana. À medida que estas ondas viajam pelo corpo e chegam à cabeça, sofrem alterações. Tal como acontece com as impressões digitais, estes padrões vibratórios são únicos para cada indivíduo, uma vez que dependem da estrutura óssea e dos tecidos faciais de cada pessoa. Esta inovação foi apresentada recentemente na Conferência ACM sobre Segurança de Computadores e Comunicações de 2025.
A biologia como chave de segurança
O funcionamento do VitalID baseia-se em princípios biológicos simples para optimizar a experiência do utilizador. Mesmo quando estamos sentados e imóveis, os nossos corpos continuam a mover-se de forma subtil. Cada respiração e batimento cardíaco cria pequenas vibrações que sobem pelo pescoço até à cabeça. Como cada crânio tem uma forma, espessura e densidade óssea diferentes, as vibrações alteram-se de forma distinta ao viajar por estas estruturas.
O resultado é um padrão vibratório exclusivo. A grande vantagem deste sistema é que os sensores de movimento que já existem no interior dos auscultadores de realidade virtual e aumentada conseguem detectar estes padrões minúsculos e determinar quem tem o equipamento colocado. Yingying Chen, engenheira informática da Universidade Rutgers e co-autora do estudo, indica que não é necessário adicionar qualquer hardware extra aos dispositivos, pois o sistema exige apenas software.
Para testar a eficácia da tecnologia, a equipa de investigação avaliou 52 utilizadores ao longo de um período de dez meses, a utilizar dois dos auscultadores mais populares do mercado. Os resultados mostram que o sistema autenticou correctamente os utilizadores legítimos em mais de 95 por cento das vezes. Mais importante ainda, rejeitou o acesso a pessoas não autorizadas em mais de 98 por cento das tentativas. A equipa desenvolveu ainda um filtro para remover a interferência de movimentos normais da cabeça, como acenar, para garantir que o foco se mantém apenas nas vibrações internas.
Uma solução para a realidade estendida
A realidade estendida, que engloba a realidade virtual, aumentada e mista, está a expandir-se do mundo dos videojogos para áreas como as finanças, a medicina, a educação e o trabalho remoto. Com esta expansão, a segurança nestes ambientes tornou-se urgente. Actualmente, estes equipamentos armazenam documentos confidenciais e dão acesso a serviços web e contas pessoais.
No entanto, digitar palavras-passe num ambiente virtual através de gestos é um processo desajeitado. A autenticação de dois factores interrompe a imersão, e a integração de hardware para ler a íris aumenta drasticamente os custos de produção. O VitalID surge como uma tentativa de resolver estas falhas, ao permitir que os utilizadores acedam a plataformas financeiras ou sistemas de empresas sem terem de parar para iniciar sessão.
Segundo a PopSci, estas vibrações internas são muito difíceis de falsificar. Embora alguém possa tentar imitar o ritmo respiratório de outra pessoa, é praticamente impossível replicar as propriedades biomecânicas de um crânio alheio. O dispositivo consegue sentir estas vibrações de forma contínua para confirmar que o utilizador correcto mantém o equipamento na cabeça.
A tecnologia ainda não está disponível comercialmente, mas a Universidade Rutgers já fez um pedido de patente provisória, e o sistema encontra-se disponível para licenciamento e colaboração em futuras investigações.