De acordo com um artigo da TechSpot, uma engenheira gráfica da Valve desenvolveu uma solução técnica para Linux que promete melhorar drasticamente a experiência de jogo no sistema operativo de código aberto. O foco desta nova funcionalidade é resolver um problema antigo relacionado com a gestão de memória de vídeo (VRAM), especialmente em placas gráficas que oferecem apenas 8 GB de capacidade.
Até agora, o sistema operativo não conseguia distinguir perfeitamente a importância de um jogo a correr em primeiro plano em comparação com outras tarefas secundárias. Quando a memória da placa gráfica começava a ficar cheia, aplicações em segundo plano, como um simples separador de um browser ou um programa de conversação, podiam roubar espaço vital. Como consequência, os dados do jogo eram empurrados para a memória RAM do sistema (GTT), à qual o processador gráfico acede através da ligação PCIe. Este processo é muito mais lento e resulta em quebras de fluidez e atrasos na imagem, algo que os donos de placas de 8 GB conhecem perfeitamente.
A solução técnica da Valve
Para combater este obstáculo, Natalie Vock, que trabalha na equipa de desenvolvimento gráfico da Valve para Linux e no controlador RADV Vulkan, criou um conjunto de correcções para o núcleo do sistema (kernel) e ferramentas adicionais. A notícia indica que esta intervenção permite dar prioridade absoluta aos jogos no acesso à memória local rápida, enquanto as tarefas menos importantes passam a ocupar a memória RAM mais lenta do sistema.
A solução integra alterações no kernel para suportar grupos de controlo de memória de dispositivos DRM, em conjunto com dois utilitários específicos. O primeiro gere o controlo de memória, enquanto o segundo permite que o ambiente de trabalho KDE Plasma identifique a aplicação activa em ecrã inteiro e lhe atribua a prioridade máxima. Para os utilizadores que não usam o KDE, as versões mais recentes do Gamescope também já conseguem tirar partido deste comportamento optimizado.
Esta dedicação da empresa liderada por Gabe Newell surge numa altura em que o número de utilizadores a jogar através deste sistema operativo continua a bater recordes, o que justifica o investimento contínuo em melhorias de desempenho.
Resultados práticos e disponibilidade
Para demonstrar a eficácia desta nova funcionalidade, a engenheira realizou testes a executar tarefas pesadas no jogo Cyberpunk 2077, a utilizar uma placa gráfica de 8 GB. Antes da correcção, o título ocupava cerca de 6 GB de VRAM e derramava 1,37 GB para a memória do sistema. Com as optimizações activas, a utilização de VRAM subiu para quase 7,4 GB e o desvio para a memória GTT caiu para apenas 650 MB. Isto representa uma redução de aproximadamente 53% na transferência de dados para a memória mais lenta, o que melhora a estabilidade geral da imagem.
Neste momento, a forma mais fácil de testar esta novidade é através da distribuição CachyOS com o ambiente KDE Plasma, onde o trabalho necessário no kernel já começou a ser integrado a partir da versão 7.0rc7-2. A TechSpot refere ainda que, embora estas correcções tenham como alvo principal os controladores gráficos abertos da AMD, existem indicações de que partes do código podem beneficiar as placas Intel Xe. Além disso, uma correcção semelhante já foi enviada para o nouveau, o controlador de código aberto destinado às placas gráficas da Nvidia.