Na passada quinta-feira, o Spotify anunciou uma nova funcionalidade que permite aos utilizadores desactivar todos os conteúdos de vídeo na aplicação. A medida surge como uma resposta directa aos pedidos de quem prefere uma experiência focada apenas no áudio, sem distracções visuais a ocupar o ecrã. A actualização começa a chegar a todos os utilizadores a nível global durante este mês.
A plataforma sueca quer dar a possibilidade de escolher entre uma navegação puramente sonora ou uma experiência enriquecida com vídeo. Para isso, a empresa passa a disponibilizar controlos universais que se aplicam a todas as plataformas, seja no telemóvel, no computador, na televisão ou através do browser.
Os três novos controlos de vídeo
A nova secção de definições oferece um nível de personalização inédito para limpar a interface. Ao aceder ao menu de “Conteúdo e visualização”, os utilizadores vão encontrar três interruptores distintos para gerir o que a aplicação pode mostrar. É fundamental detalhar cada um destes três elementos para compreender a fundo a nova ferramenta.
O primeiro controlo diz respeito ao Canvas, as pequenas animações em ciclo que aparecem no ecrã de reprodução e que foram introduzidas em 2018. O segundo interruptor permite bloquear os videoclipes oficiais das músicas, uma adição que chegou à plataforma no início de 2024 para fazer frente ao YouTube. Por fim, a terceira opção abrange “todos os outros vídeos”, o que inclui os podcasts em formato de vídeo, os vídeos verticais de navegação rápida e os pequenos clips promocionais de trinta segundos gravados pelos artistas para comunicar com os fãs.
Gestão familiar e contas gratuitas
A actualização traz vantagens específicas para os gestores de planos familiares. A partir de agora, o administrador da conta pode ligar ou desligar o conteúdo visual para qualquer membro do plano directamente a partir das definições de subscrição. O TechCrunch refere que esta capacidade estava antes limitada apenas a contas geridas para menores de treze anos. A empresa indica que sessenta por cento desses utilizadores mais jovens já tinham o vídeo bloqueado pelos pais ou tutores.
Dustee Jenkins, directora de assuntos públicos do Spotify, sublinha que a intenção é ajudar as famílias que preferem um ambiente focado na música a regressar às raízes da plataforma. A executiva nota ainda que a novidade se estende a todos os patamares de subscrição, desde os planos Premium (Individual, Duo, Familiar e Estudante) até ao serviço gratuito. No entanto, os utilizadores da versão gratuita vão continuar a ver anúncios em vídeo e elementos visuais associados a publicidade, mesmo com as opções de reprodução desactivadas.
O equilíbrio entre o áudio e o vídeo
Ao longo dos últimos anos, a plataforma tem apostado fortemente no formato visual para competir com outras redes sociais. Os podcasts em vídeo, por exemplo, ganharam um grande impulso em 2020, durante a pandemia. O Engadget aponta que mais de setenta por cento dos utilizadores afirmam que o conteúdo visual melhora a sua experiência. Já um outro inquérito interno da empresa revela que noventa e três por cento dos subscritores valorizam funcionalidades que lhes dão mais controlo sobre a aplicação.
A aplicação tem sido alvo de críticas por adicionar elementos que desviam a atenção do seu propósito original, como a inclusão massiva de audiolivros e a promoção agressiva de certos podcasts na página inicial. Ao dar a opção de desligar os vídeos, a empresa parece finalmente ouvir as queixas dos puristas da música.
Esta mudança de estratégia pode também estar relacionada com a pressão de reguladores e legisladores, que observam de perto o impacto das aplicações visuais nos utilizadores mais jovens. Ao mesmo tempo, a empresa continua a optimizar a experiência técnica noutras frentes. Além de devolver o controlo visual aos ouvintes, a marca tem trabalhado em melhorias na qualidade do som, como se viu recentemente ao lançar um modo exclusivo para garantir áudio sem perdas nos computadores, provando que a qualidade sonora continua a ser uma prioridade.
Para complementar esta aposta na personalização, o site Neowin lembra que a empresa começou também a expandir a funcionalidade de listas de reprodução geradas por inteligência artificial para incluir podcasts, permitindo aos ouvintes guiar o algoritmo com base no seu histórico. Com todas estas actualizações, o tempo gasto na plataforma passa a ser mais intencional, permitindo aos utilizadores executar tarefas diárias ao som das suas faixas favoritas sem interrupções visuais indesejadas.