O mercado global de computadores começou o ano a registar um crescimento modesto. De acordo com os dados preliminares da IDC referentes ao primeiro trimestre, as remessas mundiais atingiram os 65,6 milhões de unidades. Este valor representa um aumento de 2,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Este cenário positivo surge numa altura em que o sector enfrenta vários obstáculos. A análise da IDC indica que a subida nas vendas se deve, em grande parte, a compras antecipadas por parte de fabricantes e clientes. O objectivo passa por evitar os aumentos de preços previstos para os componentes de memória. Além disso, a transição contínua do Windows 10 para sistemas operativos mais recentes e o lançamento de novos equipamentos ajudaram a impulsionar os números.
O impacto da escassez de componentes
Jean Philippe Bouchard, vice-presidente de pesquisa da IDC, refere que os próximos meses vão mostrar as diferenças na resiliência operacional das várias marcas. O especialista avança que o ano será marcado por mudanças na quota de mercado. As fabricantes que conseguirem garantir um melhor acesso a recursos de memória e que ofereçam portefólios de produtos mais abrangentes vão ganhar vantagem sobre os concorrentes que lutam contra as restrições de fornecimento.
“A IDC acredita que a procura será satisfeita pelos fornecedores de PC que melhor garantiram o acesso à memória e com um portefólio de dispositivos capaz de abranger todos os níveis de preços do mercado”, nota Bouchard. A empresa de análise espera que as marcas capazes de manter um controlo rigoroso sobre o fornecimento e o inventário consigam capturar uma maior fatia do sector, à medida que os componentes se tornam mais difíceis de obter.
Desafios logísticos e aumento de preços
Apesar de o primeiro trimestre apresentar um crescimento positivo, a IDC avisa que a tendência subjacente está a abrandar rapidamente. O artigo da empresa de análise mostra que todas as principais regiões começaram a dar sinais de enfraquecimento na procura, à medida que os preços dos dispositivos sobem e as condições macroeconómicas se deterioram. Este abrandamento pode intensificar-se até ao final do ano se os custos de fabrico e de logística continuarem a aumentar.
O conflito em curso no Médio Oriente veio complicar ainda mais um ambiente logístico que já se encontrava frágil. Isaac Ngatia, analista sénior de pesquisa da IDC, indica que as interrupções nas rotas de transporte marítimo entre a Ásia e a região EMEA (Europa, Médio Oriente e África) se cruzaram com o aumento dos custos de combustível e com a volatilidade dos mercados de frete.
Segundo o analista, esta situação acrescentou uma nova camada de instabilidade num mercado já de si delicado. A pressão sobre a logística global actua como uma faca de dois gumes, impulsionada pela subida dos custos de energia e pelos picos nos preços dos transportes.
Para contornar a instabilidade das rotas marítimas, as fabricantes começaram a recorrer cada vez mais ao transporte aéreo para cumprir os prazos de entrega. No entanto, esta alternativa fez disparar os custos, um factor que acaba por se reflectir em toda a cadeia de abastecimento. Em última análise, esta dinâmica resulta num aumento de preços tanto para os consumidores finais como para as empresas.
A IDC prevê que estas condições continuem a pressionar as remessas de computadores durante o resto do ano. As marcas com cadeias de abastecimento mais robustas serão as mais bem posicionadas para ultrapassar estes obstáculos.