A LoopOS surgiu «a partir da experiência directa dos fundadores com projectos de circularidade e operações de aftersales, como reparação, recompra e segunda vida de produtos», salienta Ricardo Morgado, co-fundador e CGO da LoopOS. Anteriormente, estes empreendedores tinham criado o projecto de reciclagem de livros escolares Book in Loop, entretanto terminado dada a decisão do Governo português de facultar gratuitamente estes manuais. O responsável explica ter sido «evidente que os sistemas existentes não estavam preparados» para operações circulares: «Eram pensados para um modelo linear, muito assente em processos manuais, difíceis de integrar e praticamente impossíveis de escalar». Assim, a LoopOS «nasceu para resolver esse problema, criando uma base tecnológica preparada para negócios circulares desde a origem» e com a missão de «permitir que qualquer empresa consiga operar modelos de economia circular à escala, de forma eficiente, rentável e mensurável, colocando a circularidade no centro do negócio e não como um projecto paralelo».
A LoopOS é o «primeiro circular ERP» e funciona «como uma camada central de orquestração de todos os fluxos circulares: trade-in, devoluções, reparações, recondicionamento, recomercialização, aluguer e modelos C2C», explica Ricardo Morgado. Este software, ao contrário das plataformas de gestão empresarial tradicionais, «foi desenhado de raiz para múltiplos ciclos de vida do produto, integrando logística, parceiros externos, dados operacionais e impacto ambiental num único sistema. Isto permite escala, automação e tomada de decisão baseada em dados, algo que hoje não é possível com soluções fragmentadas», esclarece o empreendedor.
Uma referência global
A LoopOS trabalha com «mais de uma centena de clientes, com forte foco» no segmento «enterprise», em que os mais relevantes são «a FNAC, Darty, Decathlon, Fidelidade, Auchan, CTT, Rowenta e Moulinex». Ricardo Morgado refere que o sucesso da startup «mostra também que existem oportunidades muito relevantes para empresas portuguesas na área das TI, nomeadamente em canais de recompra, reparações, reciclagem e gestão de equipamentos electrónicos em fim de vida (ITAD)».
A LoopOS tem planos para crescer e vê a internacionalização como «uma prioridade estratégica», operando já em «vários mercados europeus, incluindo Espanha, França, Bélgica e Alemanha». Os próximos passos «passam por reforçar a presença na Europa Central e iniciar a expansão para os Estados Unidos, onde a pressão regulatória e empresarial para modelos circulares está a crescer rapidamente». Para ajudar neste processo, o talento é uma prioridade. A startup conta actualmente com «cerca de trinta colaboradores», distribuídos entre a sede em Coimbra e o escritório em Lisboa, mas está a contratar, como revela o co-fundador: «Estamos a reforçar a equipa sobretudo com perfis técnicos, com forte foco em inteligência artificial e produto, bem como perfis comerciais com experiência em software B2B e mercados internacionais».
Sobre as perspectivas de futuro, a ambição é clara: Ricardo Morgado quer que a LoopOS se torne o «sistema de referência global para a economia circular, incorporando cada vez mais inteligência artificial na forma como as empresas tomam decisões sobre reutilização, reparação e valorização de produtos». O objectivo é «ajudar a redefinir a forma como os negócios gerem recursos, produtos e impacto ao longo do tempo».