A Associação da Indústria de Semicondutores de Taiwan (TSIA) apelou ao governo local para criar uma reserva estratégica de hélio e gás natural liquefeito (GNL). O pedido surge numa altura em que os Estados Unidos e o Irão assinaram um acordo de cessar-fogo de duas semanas no Médio Oriente. De acordo com o Nikkei Asia, a associação pretende que Taipé siga o exemplo do Japão e dos Estados Unidos da América ao construir um inventário de segurança destes materiais, que são fundamentais para o fabrico de componentes electrónicos.
Actualmente, a ilha asiática tem apenas cerca de onze dias de reservas estratégicas de GNL, o combustível usado por mais de 40% das suas centrais eléctricas, e não dispõe de qualquer armazenamento de hélio.
O impacto do bloqueio no Médio Oriente
A vulnerabilidade da cadeia de abastecimento ficou exposta quando o Irão bloqueou o Estreito de Ormuz, em Março deste ano, em resposta a uma campanha de bombardeamentos norte-americana. Esta acção interrompeu o fluxo de vários materiais essenciais, como alumínio, GNL e hélio. Embora os membros da TSIA tivessem inventário a curto prazo suficiente para ultrapassar as primeiras semanas, a escassez começou a fazer-se sentir logo à terceira semana do conflito.
O hélio é utilizado em várias fases do fabrico de processadores, desde o arrefecimento até à lavagem química, e não tem um substituto viável. Sem este gás, a produção nas fábricas de semicondutores seria forçada a parar. É neste contexto de incerteza que se percebe como a instabilidade na região ameaça a produção global de componentes por falta de matérias-primas essenciais, um cenário que preocupa as grandes empresas tecnológicas em todo o mundo.
Apelo à diversificação energética
Além de pedir ao governo para aumentar as reservas estratégicas, a TSIA indicou que Taiwan precisa de diversificar as suas fontes de energia e recursos. Cliff Hou, presidente da associação e vice-presidente sénior da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), refere que é necessário preparar o país para as incertezas do mercado global.
O responsável acrescentou ainda que a associação apoia a decisão do governo de reabrir as centrais nucleares para garantir um fornecimento de energia mais estável, desde que os processos cumpram os requisitos legais e a segurança esteja garantida. A estabilidade energética é vital para o desenvolvimento da indústria e para executar tarefas complexas de produção.
Recorde-se que Taiwan encerrou a sua última central nuclear em Maio de 2025 e passou a depender de importações para satisfazer mais de 95% das suas necessidades energéticas. Como a ilha recebe quase um terço do seu GNL do Catar, o bloqueio do Estreito de Ormuz afectou drasticamente uma das suas principais fontes de energia, evidenciando a necessidade de alternativas que não dependam do exterior.
Um alívio temporário
O recente anúncio de um cessar-fogo condicional de duas semanas entre os EUA e o Irão, que depende da reabertura do Estreito de Ormuz, traz algum alívio à indústria de semicondutores de Taiwan. Os navios que transportam os recursos necessários podem agora retomar a sua viagem em direcção à ilha.
No entanto, a notícia não significa que a cadeia de abastecimento regresse de imediato aos níveis anteriores ao conflito. As instalações da QatarEnergy em Ras Laffan sofreram danos extensos devido a ataques directos, o que afecta a sua capacidade de produção a médio prazo. Além disso, o acordo actual é apenas uma medida temporária. Até que as partes alcancem um entendimento para uma paz duradoura, permanece a ameaça de um novo conflito capaz de interromper novamente as cadeias de abastecimento globais e prejudicar o fabrico de tecnologia.