O Conselho Nacional para a Inovação Pedagógica no Ensino Superior (CNIPES) propõe a criação de uma Plataforma de Práticas Pedagógicas para a Inteligência Artificial (PPPIA), com o objectivo de fazer a «coordenação entre instituições de ensino superior». A organização identifica um «contexto em que a adopção destas ferramentas está a avançar mais depressa do que a definição de regras claras e consistentes».
Esta proposta surge após um «diagnóstico nacional» que aponta para um desfasamento entre a utilização crescente de ferramentas de IA e a ausência de enquadramento institucional estruturado. «Apenas 14,7% das instituições reportam políticas formais em prática», diz o CNIPES.
O relatório resulta da análise de 30 estratégias internacionais, 191 estudos empíricos e um inquérito a 68 instituições nacionais, tendo sido coordenado por Nelson Zagalo, da Universidade de Aveiro. No documento, é referido que a IA já está presente em «52,9% das actividades de ensino e em 42,6% da investigação», ainda que de forma «fragmentada e sem articulação consistente». A sua utilização na «gestão institucional mantém-se residual».
O CNIPES alerta para «riscos associados a esta adopção sem governação», destacando a chamada “fragilidade epistémica”, que se traduz na produção de «conteúdos plausíveis, mas potencialmente incorrectos ou enviesados». Neste contexto, a validação humana e a responsabilização institucional surgem como «factores críticos».
A PPPIA quer mudar esta realidade e promover a partilha de práticas, a produção de evidência comparável e o apoio à capacitação das instituições. O objectivo passa por «substituir uma adopção dispersa por uma abordagem mais estruturada».