Recentemente, a Canonical decidiu alterar os requisitos mínimos de hardware para o seu sistema operativo de código aberto. As notas de lançamento do Ubuntu 26.04 LTS (conhecido pelo nome de código Resolute Raccoon) mostram que a capacidade mínima de memória RAM passou para 6 GB. Esta alteração representa um aumento de cinquenta por cento em relação à versão anterior. Além da memória, o sistema necessita agora um processador com dois núcleos a funcionar a 2 GHz e 25 GB de espaço livre no disco para garantir uma instalação sem problemas.
A última vez que a empresa responsável pelo sistema operativo aumentou as exigências de memória ocorreu em 2018. Na altura, a chegada do Ubuntu 18.04 LTS (Bionic Beaver) estabeleceu um mínimo de 4 GB. Antes disso, durante quatro anos, o requisito mínimo manteve-se em apenas 1 GB, um valor definido em 2014 com o lançamento do Ubuntu 14.04 LTS. Ao ter em conta este historial de actualizações espaçadas no tempo, a mudança actual acaba por não ser uma surpresa total para a comunidade de utilizadores.
Uma questão de honestidade no desempenho
O site especializado OMG Ubuntu refere que esta revisão nas especificações técnicas funciona essencialmente como um ajuste de honestidade por parte dos programadores. Ou seja, o núcleo do sistema operativo não está necessariamente mais pesado ou mal optimizado, mas a Canonical reconhece que, para executar tarefas diárias de forma fluida, os utilizadores precisam de mais capacidade de memória. Com a inclusão do ambiente de trabalho Gnome actualizado (que passou da versão 46 para a 50), browsers modernos que consomem bastantes recursos e o uso típico de várias aplicações em simultâneo, os 6 GB tornam-se o valor ideal para evitar bloqueios.
A nova versão de suporte a longo prazo integra versões actualizadas de aplicações fundamentais para a produtividade diária, como o Firefox, o LibreOffice, o Thunderbird e o GIMP. Importa notar que o Ubuntu 26.04 LTS não bloqueia a instalação em computadores que não cumpram a nova especificação de forma estrita. O sistema vai continuar a instalar em máquinas com menos memória disponível. No entanto, a experiência de utilização será inevitavelmente afectada. Testes práticos realizados a uma versão beta num portátil com apenas 2 GB de RAM indicam que o sistema funciona, mas de forma bastante lenta e com limitações evidentes ao abrir programas mais exigentes.
Alternativas mais leves para computadores antigos
Para quem usa equipamentos mais antigos e não consegue fazer actualizações de hardware devido ao preço dos componentes, existem outras opções disponíveis no mercado. O universo Linux oferece diversas alternativas desenhadas especificamente para consumir poucos recursos. Dentro da própria família oficial da Canonical, destaca-se o Lubuntu. Esta variante disponibiliza uma experiência leve e eficiente, ideal para máquinas com limitações técnicas. A versão actual do Lubuntu exige apenas 1 GB de RAM, um processador a 1 GHz e menos de 10 GB de armazenamento, o que permite dar uma nova vida a computadores que já não conseguem correr a versão principal do Ubuntu de forma satisfatória.
A notícia gerou algum debate entre a comunidade tecnológica. Alguns utilizadores apontam que, no papel, esta alteração faz com que o Ubuntu pareça exigir mais memória do que o próprio Windows em instalações limpas. Outros levantam questões sobre o suporte a dispositivos compactos como o Raspberry Pi, embora as versões anteriores ainda garantam compatibilidade com modelos de 4 GB. Em suma, a evolução natural do software obriga a acompanhar as exigências do hardware moderno, para assegurar que as novas funcionalidades operam sem comprometer a estabilidade geral da máquina.