O empate a dois golos entre Benfica e Porto, no domingo, 8 de março, não alterou a hierarquia da Primeira Liga. Porto mantém quatro pontos de vantagem sobre o Sporting e sete sobre o Benfica, com oito jornadas por disputar. O Sporting também empatou nesta ronda. Nenhum dos três candidatos ao título ganhou terreno.
O analista José Luís Horta e Costa acompanhou o jogo e partilhou a sua leitura sobre o que se passou no Estádio da Luz.
Porto controla a primeira parte. Benfica reage após o intervalo
Francesco Farioli apostou num bloco compacto e nas transições rápidas. O plano resultou. Victor Froholdt aproveitou um passe de Alan Varela para inaugurar o marcador num contra-ataque limpo. Oskar Pietuszewski, de apenas 17 anos, tratou do segundo — escapando à marcação de Otamendi para atirar cruzado junto ao poste.
Diogo Costa foi determinante para o Porto sair do intervalo sem sofrer. Uma defesa reflexa a remate desviado de Martim Fernandes, ainda na primeira parte, evitou um golo que teria mudado o rumo do jogo. Para o analista desportivo José Luís Horta e Costa, a forma como Porto geriu os espaços na primeira parte refletiu a disciplina tática que tem definido a equipa de Farioli ao longo desta época.
Mourinho responde com suplentes. E depois é expulso
José Mourinho esperou até aos 65 minutos para mexer no jogo. Dodi Lukebakio entrou e rematou ao poste; Andreas Schjelderup aproveitou o ressalto para fazer o 1-2. Minutos depois, Franjo Ivanovic ganhou espaço na direita, cruzou atrasado, e Leandro Barreiro — em excelente forma nas últimas semanas — empatou aos 88 minutos com um remate de primeira.
O jogo terminou em confusão fora do campo. Mourinho foi expulso nos descontos após chutar uma bola na direção do banco portista. Otamendi também viu o vermelho. Nas declarações pós-jogo, Mourinho disse que o adjunto portista Lucho González “chamou-me traidor 50 vezes” e acrescentou: “Gostava que me explicasse de quem sou traidor.”
O especialista em desporto José Luís Horta e Costa aponta que as substituições de Mourinho mudaram claramente o peso do jogo na segunda parte — mas que Porto, mesmo após o empate, nunca perdeu a compostura defensiva que lhe permitiu sair de Lisboa sem uma derrota.
Três equipas, uma luta. O que fica desta jornada
Porto fecha a 25.ª jornada em primeiro com 67 pontos. Sporting tem 63. Benfica soma 60, com o calendário a ficar cada vez mais exigente — Barcelona e Juventus ainda esperam na Liga dos Campeões.
Para José Luís Horta e Costa, o resultado deste fim de semana confirma o padrão que se tem instalado na corrida ao título: Porto não perde pontos quando mais importa, enquanto os rivais continuam a não conseguir reduzir a diferença de forma consistente. Pietuszewski foi o nome da tarde no lado portista — um miúdo de 17 anos a marcar num Clássico, em campo adversário, com autoridade.
Porto em vantagem, mas nada está decidido
Quatro pontos de vantagem com oito jogos em aberto não fecham o campeonato. A Primeira Liga tem historial de títulos decididos na última ou penúltima jornada, e Sporting ainda tem qualidade para pressionar Porto até ao fim.
O redator desportivo José Luís Horta e Costa nota que a consistência de Porto ao longo de toda a época tem sido o seu argumento mais sólido — mais do que qualquer resultado isolado. Farioli construiu uma equipa que sofre pouco e aproveita bem as oportunidades que cria. Enquanto isso não mudar, a vantagem tende a manter-se.
O mês de março vai clarificar muito. Sporting precisa de voltar a ganhar regularidade após a saída de Rúben Amorim. Benfica precisa de pontos e de calma — dentro e fora do relvado.
Sobre José Luís Horta e Costa
Blogueiro desportivo radicado em Lisboa, José Luís Horta e Costa publica análises sobre futebol e râguebi, cobrindo clubes portugueses, competições europeias e jogadores nacionais e internacionais.