Novos dados mostram que a forma como os utilizadores navegam na Internet está a mudar de forma acelerada. A pesquisa Google, tradicionalmente a maior fonte de visitas para a esmagadora maioria dos sites, registou uma quebra acentuada no encaminhamento de leitores. A informação foi recolhida pela empresa de análise Chartbeat e partilhada num artigo do site Axios, que avança números preocupantes para quem gere plataformas digitais.
O impacto nos pequenos e médios editores
De acordo com os dados recolhidos ao longo do último ano, o tráfego global proveniente da Pesquisa Google caiu 34 por cento. No entanto, esta descida não afecta todos de forma igual. Os sites de menor dimensão são os que mais sofrem com esta nova realidade. O artigo da Axios revela que os pequenos editores viram as visitas oriundas do motor de busca cair cerca de 60 por cento. Por sua vez, os meios de média dimensão, que registam entre dez mil e cem mil páginas vistas por dia, sofreram uma quebra de 47 por cento. Já os grandes portais, com mais de cem mil visualizações diárias, registaram uma descida mais contida na ordem dos 22 por cento. Além da pesquisa tradicional, também o Google Discover apresenta uma redução de 15 por cento no envio de leitores.
Inteligência Artificial ainda não é a solução
Com a integração de respostas automáticas nos motores de busca, seria de esperar que as novas ferramentas compensassem a perda de cliques. Contudo, a realidade mostra um cenário diferente. Embora a gigante tecnológica tenha devolvido algum tráfego aos sites com ligações pop-up nas AI Overviews, a Chartbeat conclui que os chatbots de Inteligência Artificial representam menos de 1 por cento de todo o tráfego de referência. Ainda assim, existe um crescimento a assinalar. As visitas geradas pelo ChatGPT aumentaram mais de 200 por cento durante o ano de 2025. Os sites de notícias e meios de comunicação são os que mais recebem cliques destas plataformas de IA, mas com níveis de interacção muito baixos. Os utilizadores parecem aceder aos links originais apenas para verificar a veracidade das informações, uma vez que as respostas geradas por IA continuam a mostrar falhas de precisão.
Imprensa tecnológica sofre um golpe duro
O sector da tecnologia é um dos mais afectados por esta mudança de paradigma. Sites como o The Verge ou o HowToGeek, viram o tráfego proveniente da Google cair até 85 por cento no último ano. O caso mais extremo é o do Digital Trends, que registou uma quebra de 97 por cento, uma situação que levou a publicação a despedir quase toda a sua equipa a tempo inteiro no início de 2025. Em contrapartida, fontes alternativas de tráfego começam a ganhar relevância. O correio electrónico, as aplicações dedicadas e as mensagens instantâneas surgem agora como canais em crescimento para atrair leitores, numa altura em que o tráfego global da web caiu 6 por cento entre 2024 e 2025.
A resposta oficial da gigante das pesquisas
Apesar dos números apresentados pela Chartbeat, a Google mantém uma posição defensiva. No ano passado, a empresa afirmou que o volume total de cliques orgânicos se manteve relativamente estável. A tecnológica defende que a qualidade média dos cliques foi optimizada, o que significa que os utilizadores passam mais tempo nos sites de destino em vez de voltarem imediatamente para a página de resultados. A empresa sublinha ainda que se preocupa profundamente com a saúde da web, uma declaração que contrasta com as dificuldades financeiras que muitos editores começam a enfrentar devido à falta de visitas.