Uma evolução na continuidade: somos obrigados a usar este cliché para um modelo que também não o evita em alguns pontos, sobretudo no de não operar uma revolução face ao anterior modelo.
O S26 Ultra representa, assim, a terceira geração da estratégia de smartphones com inteligência artificial da Samsung, iniciada com o S24. Três anos depois, este modelo refina algumas imagens de marca das duas gerações anteriores e traz algumas novidades interessantes; mas também algumas decisões discutíveis.
Design: o bom, o mau e o vilão
À primeira vista, o design é onde surgem as mudanças mais evidentes. O S26 Ultra abandona o formato extremamente quadrado das gerações anteriores e adopta arestas com uma curvatura mais pronunciada, numa aproximação à linguagem de design que domina o segmento topo de gama – o bom.
A construção também muda: o titânio dá lugar ao alumínio, o que, segundo a marca, contribui para reduzir o peso do dispositivo. Na prática, o smartphone passa de 218 (S25 Ultra) para 214 gramas: a diferença existe, mas é difícil de perceber na utilização diária. Facto é que o Ultra continua a ser um dispositivo grande (quase sete polegadas de ecrã), embora surpreendentemente leve para as suas dimensões (cerca de 16 por 8 cm).
Esta nova curvatura das arestas, além de ser visualmente agradável,** vem com um pequeno problema funcional – o mau. No S25 Ultra, a S Pen podia ser inserida no compartimento inferior de qualquer forma, mas neste isso deixa de acontecer.
A ponta do estilete acompanha agora a curvatura do telefone e só encaixa correctamente numa posição específica; caso contrário, fica ligeiramente saliente. É um detalhe que revela uma decisão de design pouco feliz: a forma acaba por sacrificar uma função que antes funcionava sem qualquer fricção.
Outra alteração pouco consensual está na traseira – o vilão. O módulo das câmaras continua a integrar três sensores principais, mas agora assenta numa base que se eleva (e muito) da superfície traseira – o resultado é um aumento visível da saliência face ao S25 Ultra.
Sobre uma mesa, o telefone torna-se ainda mais instável e oscila com facilidade quando tocamos no ecrã. Curiosamente, apesar deste módulo maior, a espessura total diminui ligeiramente, passando de 8,2 para 7,9 mm. Mas, mais uma vez, a diferença é praticamente imperceptível.
Mais luz pelo sensor adentro
Os Ultra da Samsung têm sido sempre muito bons na componente multimédia e o S26 não é diferente. Uma das grandes novidades é uma funcionalidade curiosa, o ‘Horizon Lock’, em que a câmara mantém o horizonte perfeitamente nivelado mesmo que rodemos o telefone durante a gravação.
Podemos girar o smartphone quase 360 graus e a imagem permanece estável. O efeito é estranho, no bom sentido, pois parece que a câmara nunca mudou de posição e é mesmo difícil acreditar que o vídeo foi captado dessa forma.
No campo da fotografia, as diferenças face ao S25 Ultra não passam pelo número de sensores, mas sim pelo trabalho da marca coreana ao nível da afinação das lentes. A câmara principal mantém os 200 MP, mas a lente passa a ter abertura f/1.4 em vez de f/1.7 (S25), com os resultados a continuarem a ser muito bons, sobretudo à noite. A Samsung sublinha que esta combinação é rara: um sensor de 200 MP com abertura f/1.4 praticamente não existe no mercado europeu e, segundo a marca, apenas dois modelos na China oferecem algo semelhante.
A teleobjectiva (50 MP) de 5x também recebeu melhorias: a abertura passa de f/3.4 para f/2.9, com os resultados em linha com o que referimos em cima. Já a teleobjectiva de 3x segue na direcção oposta. A resolução mantém-se nos 10 MP e a abertura permanece f/2.4, mas o sensor passa a ser ligeiramente mais pequeno: 1/3.94″ no S26 Ultra contra 1/3.52″ no modelo anterior. No que toca à ultra grande angular, está praticamente inalterada: continua a usar um sensor de 50 MP com abertura f/1.9 e campo de visão de 120 graus.
Privacidade esforçada, com um problema
Mas, talvez, a novidade mais curiosa do S26 Ultra esteja no ecrã. Este é o primeiro smartphone da marca (e do mundo?) com um filtro de privacidade integrado no próprio painel, um efeito conseguido por hardware e não por software. Aqui, podemos escolher esconder apenas a área das notificações ou todo o ecrã, com dois níveis de intensidade. Também é possível definir aplicações que abrem automaticamente neste modo.
A ideia é inteligente, mas a implementação está longe de ser perfeita.
No nível mais leve de privacidade, basta olhar para o ecrã a partir de um ângulo relativamente baixo para conseguirmos ver tudo. Já no nível mais forte, a privacidade torna-se total… mas com uma concessão.
O ecrã fica ligeiramente enevoado e perde muita clareza, mesmo quando o vemos de frente. Mesmo assim, a sensação que tivemos é a de uma primeira geração promissora. O sistema funciona e pode ser útil em muitas situações, mas precisa de ser refinado.
Altos e baixos no desempenho
Este S26 confirma aquilo a que a linha Ultra já habituou: resultados muito sólidos nos benchmarks que usamos regularmente para avaliar smartphones. Como estes modelos chegam sempre ao mercado em Fevereiro, acabam muitas vezes por inaugurar a “nova geração” de resultados de cada ano. Em 2026 isso volta a acontecer, embora com algumas reservas.
Nos testes que já tínhamos realizado anteriormente, o S26 Ultra superava todos os topos de gama Android que passaram pelo nosso laboratório em 2025. Ainda assim, não conseguiu ultrapassar o iPhone 17 Pro Max em plataformas como Geekbench, PCMark (no caso do iOS usamos o PassMark) ou 3DMark. Apesar disso, o novo Ultra posiciona-se claramente acima do anterior Android mais bem classificado de forma global, o Honor Magic 8 Pro, bem como de outros modelos que lideravam testes específicos, como o Work do PCMark ou os testes de GPU do Geekbench.
Faltava, contudo, conhecer os resultados em dois testes particularmente relevantes: AnTuTu e autonomia. E, depois de feitos, o S26 Ultra não consegue destronar os actuais líderes. No AnTuTu, o smartphone da Samsung atinge 3 818 322 pontos, ficando abaixo do Magic 8 Pro, que continua na frente com 3 907 534.
A autonomia também ficou aquém do esperado: no teste de bateria do PCMark, o S26 Ultra ficou pelos 1002 minutos, um valor que o coloca não só atrás do Magic 8 Pro, mas também muito distante do actual líder, o Find X9 Pro, que mantém o primeiro lugar com 1439 minutos. Para um topo de gama desta categoria, esperávamos mais.
