Esqueça os planos mensais de subscrição para aceder a ferramentas de inteligência artificial. O director executivo da OpenAI tem uma visão diferente para o futuro do sector, onde a inteligência será facturada exactamente nos mesmos moldes que a electricidade ou a água, com contadores a medir o consumo de acordo com a procura de cada utilizador. A ideia surge numa altura em que os principais laboratórios de pesquisa enfrentam dificuldades financeiras para manter as operações activas. Vários relatórios recentes indicam que o interesse dos investidores começa a dar sinais de abrandamento, à medida que estas empresas lutam para estabelecer um caminho claro para a rentabilidade, apesar de continuarem a injectar milhares de milhões no desenvolvimento tecnológico.
O peso financeiro da inteligência artificial
Os números em torno da criadora do ChatGPT ajudam a perceber a urgência de uma mudança de estratégia. Em Janeiro, uma análise financeira sugeriu que a OpenAI pode vir a registar um prejuízo de 14 mil milhões de dólares em 2026, um cenário que poderia empurrar a firma para a falência em meados de 2027. Embora a empresa consiga gerar cerca de 13 mil milhões de dólares em receitas anuais através das taxas de acesso aos seus modelos de linguagem, os gastos são colossais. A OpenAI chega a gastar 1,4 mil milhões de dólares na expansão de infra-estruturas, no treino de modelos, na contratação de investigadores e em poder computacional. Este não é um problema exclusivo da empresa liderada por Sam Altman. Outras gigantes tecnológicas enfrentam o mesmo dilema para suportar os custos de infra-estrutura. Como exemplo desta pressão financeira, a Meta poderá despedir até 20% dos trabalhadores para financiar aposta em IA, uma medida drástica para garantir a viabilidade dos seus projectos a longo prazo.
Um modelo de consumo à medida do utilizador
Para resolver este problema de forma definitiva, Sam Altman parece ter um plano em preparação. Durante uma intervenção na BlackRock Infrastructure Summit, em Washington, o executivo sugeriu que a inteligência artificial vai acabar por ser comercializada como um serviço básico. Segundo informações avançadas pelo Business Insider, a ideia passa por abandonar as taxas fixas e adoptar um modelo de pagamento por utilização. Altman indicou que a procura por estas ferramentas está a disparar e que as empresas responsáveis pelos serviços estão a trabalhar para um futuro onde a inteligência é entregue a pedido. O executivo aproveitou para citar uma velha expressão da indústria energética, afirmando que um dos objectivos mais importantes para o futuro é tornar a inteligência “demasiado barata para ser medida”.
O futuro do acesso à tecnologia
Actualmente, a OpenAI já tem formas criativas de rentabilizar os utilizadores que não pagam subscrições, nomeadamente ao integrar publicidade na experiência de utilização gratuita. Contudo, a transição para um modelo de serviço pago por utilização pode alterar a forma como interagimos com a tecnologia. Para o utilizador comum, pagar apenas pelo que consome pode ser uma opção mais vantajosa do que assumir uma mensalidade fixa. No entanto, para os profissionais que já integram estas ferramentas de forma intensiva no seu dia-a-dia para executar tarefas complexas, o cenário pode tornar-se mais dispendioso. À medida que a procura aumenta, o poder de computação vai tornar-se mais escasso. Os relatórios da indústria sugerem que o crescimento dos modelos avançados pode já ter atingido um obstáculo, devido à falta de conteúdos de alta qualidade para treino e à limitação de hardware. Neste contexto, as empresas do sector vão ser forçadas a cobrar mais por cada unidade de processamento ou, em alternativa, falhar a resposta às necessidades do mercado.