A Apple acaba de agitar o mercado tecnológico com o anúncio oficial do MacBook Neo, um dispositivo que marca uma mudança de paradigma na estratégia da tecnológica de Cupertino. Apresentado num evento especial em Nova Iorque, este novo modelo posiciona-se como a porta de entrada no ecossistema macOS e iOS, com um preço que começa nos 699 euros no mercado europeu.
Este lançamento representa a primeira vez que a Apple utiliza um processador desenhado para o iPhone num computador portátil. O MacBook Neo utiliza o chip A18 Pro, o mesmo que equipa o iPhone 16 Pro, em vez dos habituais processadores da série M. Esta decisão permite à marca oferecer o computador a um preço altamente competitivo, a procurar rivalizar directamente com os Chromebooks da Google e os portáteis Windows de gama média.
Um processador de iPhone no Mac
A integração do chip A18 Pro é o ponto central desta máquina. Com um CPU de seis núcleos (dois de desempenho e quatro de eficiência) e um GPU de cinco núcleos, a Apple afirma que o MacBook Neo consegue ser até 50% mais rápido em tarefas quotidianas, como a navegação na web, face aos computadores portáteis mais vendidos com o processador Intel Core Ultra 5. No que toca a tarefas de inteligência artificial, a vantagem sobe para o triplo da velocidade, graças ao Neural Engine de 16 núcleos.
Contudo, esta escolha traz limitações claras para os utilizadores mais exigentes. Ao contrário do MacBook Air ou do MacBook Pro, o Neo está limitado a apenas 8 GB de memória RAM unificada, sem qualquer possibilidade de expansão no momento da compra. A largura de banda da memória fixa-se nos 60 GB/s, o que reforça o posicionamento do dispositivo para estudantes e utilizadores que não pretendam realizar edição de vídeo pesada ou renderização 3D complexa.
Design colorido e sustentável
O MacBook Neo recupera uma estética mais lúdica e vibrante, a lembrar os antigos modelos de policarbonato, mas mantém a construção premium em alumínio. Está disponível em quatro cores: Prateado, Indigo (azul escuro), Blush (rosa) e Citrus (amarelo). Com um peso de apenas 1,23 kg e uma espessura de 12,7 mm, o dispositivo é extremamente portátil, embora ligeiramente mais robusto do que o actual MacBook Air M4.
A sustentabilidade é outro dos pilares deste lançamento. A Apple orgulha-se de anunciar que o MacBook Neo é o seu produto com maior percentagem de material reciclado até à data, a atingir os 60%. O chassis utiliza 90% de alumínio reciclado e a bateria conta com 100% de cobalto reciclado. Este esforço faz parte do objectivo “Apple 2030” para atingir a neutralidade carbónica em toda a cadeia de produção.
Ecrã e multimédia de qualidade
No que diz respeito ao ecrã, encontramos um painel Liquid Retina de 13 polegadas com uma resolução de 2408 x 1506 píxeis e uma densidade de 219 ppi. Ao contrário dos modelos superiores, este ecrã não possui o polémico “notch”, a apresentar molduras ligeiramente mais espessas que recordam o design do iPad. O brilho máximo atinge os 500 nits, o que deve ser suficiente para uma utilização confortável em ambientes interiores ou com luz solar indirecta.
Para as videochamadas, a Apple incluiu uma câmara FaceTime HD de 1080p, acompanhada por um sistema de dois microfones com isolamento de voz. O sistema de som é composto por duas colunas laterais que suportam Áudio Espacial e Dolby Atmos. Uma curiosidade técnica é o facto de o trackpad ser físico e permitir o clique real, a divergir do sistema háptico Force Touch presente nos restantes portáteis da gama.
Compromissos na conectividade
Para manter os 699 euros, a Apple teve de fazer escolhas difíceis na conectividade. O MacBook Neo abandona o carregamento MagSafe, e obriga os utilizadores a ocupar uma das duas portas USB-C para carregar a bateria de 36,5 Wh. Além disso, as duas entradas não são iguais: enquanto uma suporta velocidades USB 3.0 (até 10 Gb/s) e saída de vídeo DisplayPort para um monitor externo 4K, a outra está limitada a velocidades USB 2.0 (480 Mb/s).
Outro detalhe que pode desapontar alguns utilizadores é a ausência de retroiluminação no teclado. O modelo base de 256 GB de armazenamento também não inclui o sensor Touch ID. Para obter o leitor de impressões digitais, os clientes têm de optar pela versão de 512 GB, o que eleva o preço em 100 euros. No lado positivo, o Neo é o primeiro MacBook a incluir suporte para redes 5G através do modem C1X da Apple, além de contar com Wi-Fi 6E e Bluetooth 6.
Preços e disponibilidade
O MacBook Neo já se encontra disponível para pré-reserva na loja oficial da Apple e em revendedores autorizados. As primeiras unidades começam a chegar aos clientes e às lojas no dia 11 de Março. A caixa inclui um adaptador de corrente USB-C de 20 W e um cabo de carregamento de 1,5 metros.
Com uma autonomia prometida de até 16 horas de reprodução de vídeo, o MacBook Neo posiciona-se como uma ferramenta de produtividade móvel para quem procura a experiência macOS sem investir os valores exigidos pela linha Air. Resta saber como o mercado irá reagir à limitação de 8 GB de RAM num ecossistema que está a apostar cada vez mais em funcionalidades de inteligência artificial generativa.