Elon Musk revelou os planos para a construção da Terafab, uma megafábrica de semicondutores que vai nascer em Austin, no estado norte-americano do Texas. O projecto assume-se como uma parceria conjunta entre a Tesla, a SpaceX e a xAI, com o objectivo de colmatar a falta de capacidade da indústria global em dar resposta às exigências computacionais destas três empresas.
O artigo do site Tom’s Hardware avança que a infra-estrutura vai custar cerca de 20 mil milhões de dólares numa fase inicial. O anúncio foi feito pelo próprio CEO durante uma transmissão em directo na plataforma X, a partir da antiga central eléctrica de Seaholm. Durante a apresentação, Musk explicou que a actual capacidade de produção mundial representa apenas cerca de dois por cento das necessidades futuras das suas empresas, o que torna a construção desta infra-estrutura uma obrigação estratégica.
Tudo debaixo do mesmo tecto
Ao contrário do modelo tradicional da indústria, que separa as diferentes fases de fabrico por várias instalações e empresas especializadas, a Terafab vai integrar todas as etapas num único edifício. A fábrica vai contar com equipamento para produção de lógica, memória, empacotamento avançado, testes e criação de máscaras de litografia.
Esta centralização disponibiliza uma enorme vantagem competitiva. Os engenheiros passam a conseguir desenhar um processador, testar o equipamento, rever a máscara e repetir o processo sem a necessidade de enviar as bolachas de silício (wafers) para outras fábricas. A meta tecnológica passa por atingir o processo de fabrico de 2 nanómetros, o que coloca a Terafab em concorrência directa com as fundições mais avançadas do mundo.
Numa fase inicial, a infra-estrutura deve arrancar com a produção de 100 mil wafers por mês, com a ambição de escalar até um milhão de unidades mensais. Para colocar este número em perspectiva, este volume máximo representaria cerca de 70% de toda a produção global actual da TSMC.
Announcing TERAFAB: the next step towards becoming a galactic civilization https://t.co/xTA70LOU0e
— SpaceX (@SpaceX) March 22, 2026
Foco na Terra e no Espaço
A linha de montagem vai produzir duas famílias distintas de processadores. A primeira destina-se a executar tarefas terrestres, com foco na inferência de inteligência artificial para os veículos autónomos da Tesla e para os robôs humanóides Optimus. O sector da robótica exige cada vez mais independência tecnológica e controlo sobre o hardware, num mercado onde as movimentações estratégicas são constantes.
A segunda linha de processadores, designada por D3, tem como destino o espaço. Musk quer criar centros de dados orbitais através de satélites alimentados a energia solar. Para suportar este plano, a SpaceX já fez um pedido à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) para lançar um milhão de satélites.
Em termos de consumo e poder computacional, o magnata estima que as necessidades terrestres vão rondar os 100 a 200 gigawatts por ano. O restante poder de processamento, até atingir a marca de um terawatt, será direccionado para o espaço, de forma a contornar as restrições energéticas do nosso planeta.
O desafio dos equipamentos e dos custos
Apesar da grandiosidade do anúncio, os analistas do sector mostram algumas reservas quanto à viabilidade dos prazos e dos orçamentos. Especialistas da Bernstein lembram que o acesso às máquinas de litografia extrema da ASML é um obstáculo fundamental. As empresas que entram agora no mercado têm de esperar anos para receber este tipo de equipamento, uma vez que a cadeia de fornecimento de marcas como a Lam Research, a KLA Corporation e a Tokyo Electron já se encontra comprometida com encomendas antigas da TSMC, Samsung e Intel.
A questão financeira também levanta dúvidas. A Morgan Stanley estima que uma fábrica capaz de produzir 100 mil wafers por mês pode exigir um investimento na ordem dos 45 mil milhões de dólares, um valor muito superior aos 20 mil milhões anunciados inicialmente. A longo prazo, analistas de mercado prevêem que os custos totais para concretizar a visão de um milhão de wafers mensais possam ascender aos 300 mil milhões de dólares.
Até que a Terafab esteja totalmente operacional, Musk garantiu que a Tesla, a SpaceX e a xAI vão continuar a comprar processadores aos fornecedores actuais, aos quais deixou um apelo para que expandam as suas próprias fábricas o mais rápido possível. A promessa é ter os primeiros processadores AI5 optimizados a sair das linhas de montagem em 2026, mas o mercado aguarda para ver se este projecto consegue escapar ao historial de atrasos que tem marcado outras iniciativas do empresário.