Não faz muito tempo, e por culpa de um jornal de nomeada, surgiu no radar noticioso a possibilidade de Tim Cook se retirar do cargo de CEO da Apple para dar lugar a uma transição cuidadosamente planeada. Por regra, isto pode nem significar um afastamento total de Cook.
Quase todos os gurus destas matérias vaticinam que o actual CEO pode assumir a presidência do conselho de administração, sucedendo a Arthur D. Levinson, que atingiu o limite de idade previsto na estrita política de governo da Apple, onde tudo está muito bem delineado quanto a limites.
Tim Cook tomou posse do cargo em Agosto de 2011 (o tempo passa, hein…) e, desde então, muita água correu debaixo das pontes, com a Apple a atravessar um período de enorme crescimento, consolidando (sem espectaculares lantejoulas e apitos) o seu ecossistema e afirmando-se como uma das empresas mais valiosas do mundo. Esta liderança ficou marcada pela continuidade da herança de Jobs, mas também por uma visão e estilo muito próprios, mais focados em serviços, sustentabilidade e estabilidade operacional (onde os resultados, embora não traduzidos directamente em números, mas onde se fizeram sentir, trouxeram aos seus canais uma paz e normalidade que levou décadas para se notar…).
Esta bem possível alteração enquadra-se bem num plano de sucessão de longo prazo, garantindo continuidade estratégica e estabilidade para investidores, colaboradores e parceiros, ao mesmo tempo que abre caminho para um novo CEO, sendo John Ternus apontado como o herdeiro mais provável do cargo executivo. John Ternus, figura discreta quanto a relevo na estrutura, não tem um percurso desconhecido dentro da Apple: acumula anos de liderança na engenharia de hardware e esteve directamente envolvido no desenvolvimento de produtos emblemáticos como o MacBook Pro, iMac, Mac Studio, Mac Pro, bem como na transição dos Mac para Apple Silicon (M1, M2 e sucessores). Isto valeu-lhe a reputação de ser um gestor tecnicamente respeitado, o que faz com que seja visto como uma escolha natural para assegurar continuidade e confiança numa eventual transição de poder.
Mas Ternus não está sozinho no topo da lista… Jeff Williams, Craig Federighi, Eddy Cue e Sabih Khan são também muitas vezes considerados candidatos, embora a idade de alguns destes possa ser um obstáculo a uma escolha (tenho de ir espreitar as odds ao Polymarket, algo a que recentemente me habituei no que à opinião das massas diz respeito…). Seja qual for a escolha, tudo indica que a Apple vai ser fiel à sua tradição de fazer mudanças sem sobressaltos, onde a sucessão não é um momento de ruptura, mas antes uma passagem de testemunho cuidadosamente ensaiada. Na Apple, o futuro raramente acontece por acaso.