A Seagate começou a distribuir os novos discos rígidos Mozaic 4+ aos primeiros clientes. Estas novas unidades usam tecnologia HAMR para atingir capacidades de até 44 TB e destinam-se sobretudo a empresas que necessitam executar tarefas intensivas ligadas à inteligência artificial. A empresa estabeleceu parcerias com dois fornecedores de serviços na nuvem de grande escala, cujos nomes não foram revelados, para iniciar a produção e a distribuição em massa.
Esta nova gama representa uma evolução directa da plataforma Mozaic 3+, apresentada em 2024. A tecnologia HAMR, que significa gravação magnética assistida por calor (Heat-Assisted Magnetic Recording), utiliza um díodo laser integrado nas cabeças de leitura e escrita do disco para aquecer rapidamente um ponto minúsculo no prato de gravação. Este processo de aquecimento altamente localizado, que ocorre numa fracção de nanossegundo, permite aumentar a densidade de dados para armazenar bits adicionais. Com o Mozaic 4+, a Seagate consegue melhorar a eficiência, a fiabilidade e a capacidade total de armazenamento face à geração anterior.
Eficiência energética para centros de dados
A fabricante explicou que, ao implementar um exabyte de capacidade recorrendo a estes dispositivos, é possível melhorar a eficiência da infra-estrutura em cerca de 47 por cento, quando comparados com os modelos de 30 TB. Na prática, as unidades Mozaic 4+ podem reduzir o espaço físico ocupado por um centro de dados em quase dez metros quadrados e baixar o consumo anual de energia em 800 mil quilowatts-hora.
Este nível de poupança energética tem um impacto financeiro muito significativo nas operações à escala da inteligência artificial. O director executivo da Seagate, Dave Mosley, sublinhou que os dados voltaram a ser um activo de extremo valor, uma vez que as empresas precisam de volumes gigantescos de informação para treinar e operar sistemas complexos.
Enquanto a concorrência tenta acompanhar este ritmo, o cenário é favorável à Seagate. A Western Digital também se encontra a desenvolver as suas próprias unidades HAMR, mas a empresa ainda descreve a tecnologia como um objectivo futuro, devido à sua complexidade. Por outro lado, a Seagate acelera o seu plano de acção e já trabalha para elevar a densidade de dados até aos 10 TB por prato. A visão a longo prazo da marca passa por criar discos rígidos capazes de guardar até 100 terabytes numa única unidade, ao mesmo tempo que garantem a fiabilidade exigida pelo mercado empresarial.
O impacto directo nos consumidores
Apesar dos avanços tecnológicos impressionantes, o utilizador comum enfrenta um cenário menos positivo. A procura insaciável por parte das grandes empresas tecnológicas, que procuram alimentar os seus centros de dados para inteligência artificial, está a absorver quase toda a capacidade da cadeia de abastecimento de armazenamento permanente e memória RAM.
Como resultado directo desta corrida ao armazenamento de alta capacidade, os consumidores finais começam a ter dificuldades em encontrar novos discos rígidos disponíveis para compra nas lojas habituais. A prioridade das fabricantes recai sobre os contratos milionários com as gigantes da tecnologia, o que deixa o mercado retalhista com um inventário bastante reduzido e perspectivas de escassez a curto prazo.