Apesar da ascensão meteórica das unidades de armazenamnto de estado sólido que usam memórias Flash em vez de discos cobertos de óxido de ferro para guardar dados de forma permanente, a Western Digital está a preparar uma contra-ofensiva tecnológica que promete levar os discos rígidos tradicionais a patamares de desempenho e capacidade outrora impensáveis. Com as novas arquitecturas “High Bandwidth Drive” e “Dual Pivot”, o armazenamento magnético prepara-se para enfrentar os desafios da Inteligência Artificial e dos centros de dados de de grandes dimensões.
Durante anos, a narrativa da indústria tecnológica foi clara: o disco rígido era uma tecnologia em declínio, destinada a ser relegada para o arquivo passivo enquanto os SSD (Solid State Drives) assumiam o controlo de todas as terfas que necessitavam de alto desempenho. No entanto, a Western Digital (WD) acaba de baralhar as cartas. Através do desenvolvimento de duas novas tecnologias, a empresa pretende estreitar o fosso de desempenho entre os discos mecânicos e os SSD mantendo a vantagem competitiva do custo por terabyte.
Uma revolução na largura de banda
O conceito de “High Bandwidth Drive” representa uma mudança de paradigma na forma como os dados fluem entre os pratos magnéticos e a interface do sistema. Tradicionalmente, os HDD operam com um design de uma cabeça por superfície, realizando operações de leitura e escrita de forma sequencial. A nova abordagem da Western Digital permite que várias cabeças de leitura/escrita funcionem em paralelo através de várias pistas simultaneamente.
Esta arquitectura não é apenas um incremento incremental; ela duplica efectivamente a largura de banda de entrada/saída e estabelece um roteiro tecnológico que poderá escalar até oito vezes o débito de dados actual. Segundo a WD, os protótipos destas unidades multi-cabeça já se encontram nas mãos de clientes seleccionados para validação, o que sugere que a tecnologia está próxima da maturidade produtiva e pronta para ser integrada em infraestruturas críticas.
Dual Pivot: precisão e desempenho
Complementando o aumento da largura de banda, a Western Digital está a introduzir o sistema “Dual Pivot”. Ao contrário dos designs anteriores de autuadores duplos, que muitas vezes sacrificavam a densidade de armazenamento para obter ganhos de velocidade, esta nova iteração utiliza dois braços independentes, cada um operando a partir de um eixo (pivot) separado.
Esta solução permite distribuir as operações de leitura e escrita por dois conjuntos de autuadores distintos, projectando um ganho de desempenho bruto de aproximadamente 2x em relação às melhores unidades actuais. Quando combinada com o design de múltiplas cabeças, a largura de banda agregada de I/O pode atingir um aumento de 4x. O resultado final é uma nova classe de unidades de 3,5 polegadas capazes de atingir capacidades próximas dos 100 terabytes, oferecendo velocidades de acesso que começam a rivalizar com certas implementações de SSD em cenários de leitura sequencial massiva.
A eficiência energética não foi esquecida
A estratégia da WD não se foca apenas na velocidade bruta. A empresa está também a atacar o mercado do armazenamento de arquivo com as novas unidades “Power-Optimized HDD”. Estes discos foram desenhados para ocupar o espaço cinzento entre o disco rígido convencional e a fita magnética (LTO).
Com um consumo de energia 20% inferior, estas unidades são optimizadas para a retenção de dados a longo prazo, onde o acesso frequente não é a prioridade, mas a disponibilidade imediata é crucial. Em vez das horas que um sistema de fita pode demorar a recuperar informação, estes HDD permitem o acesso em segundos. Esta característica é vital para “data lakes” e arquivos de treino de modelos de IA, onde volumes colossais de dados precisam de estar prontos para processamento sem sobrecarregar a factura energética dos centros de dados.
A Western Digital prevê que a tecnologia Dual Pivot passe da fase de laboratório para amostragem de clientes antes do final da década, com a disponibilidade comercial prevista para meados de 2028. Num mundo dominado por dados gerados por IA, o disco rígido parece ter encontrado o seu segundo fôlego.