Não há momentos mortos na indústria dos videojogos e, embora a PlayStation 5 Pro ainda esteja a tentar consolidar o seu espaço no mercado, os olhares dos entusiastas e especialistas já se viram para o horizonte. A sucessora da geração actual, a PlayStation 6, começa a ganhar contornos mais definidos através de uma série de fugas de informação que apontam para um salto tecnológico sem precedentes na história da PlayStation. Com uma grande aposta na largura de banda e na capacidade de memória, a Sony parece estar a desenhar uma máquina capaz de lidar com as exigências mais extremas da próxima década.
Memória de nova geração
O ponto central das mais recentes revelações, partilhadas pelo conhecido “leaker” Kepler_L2, foca-se na memória RAM da futura consola. Segundo os dados apurados, a PlayStation 6 deverá contar com uns impressionantes 30 GB de memória GDDR7. Este valor representa um aumento de quase 100% face aos 16 GB presentes na PlayStation 5 original e supera largamente as previsões mais conservadoras que apontavam para os 24 GB.
A escolha da tecnologia GDDR7 não é por acaso. Esta memória permite alcançar velocidades de transferência muito superiores, com uma largura de banda estimada em 640 GB/s. Para colocar este valor em perspectiva, estamos a falar de um incremento de 42% em relação à PS5 base e de um desempenho superior aos 576 GB/s da PS5 Pro. A configuração física deverá passar pela utilização de dez módulos de 3 GB cada, dispostos numa arquitectura de “clamshell”. Embora o barramento de memória possa sofrer uma redução para 160-bit, a velocidade de 32 Gbps por chip compensa largamente essa alteração, garantindo que o fluxo de dados entre os componentes não encontra obstáculos.
Arquitectura e processamento
No coração da PlayStation 6, cujo nome de código para o SoC (System on a Chip) será “Orion”, a Sony mantém a sua parceria estratégica com a AMD. As fontes divergem ligeiramente no que toca à arquitectura gráfica, mas o consenso aponta para a utilização de processadores baseados em Zen 6. Esta nova micro arquitectura de CPU promete uma eficiência energética superior e um poder de processamento bruto que permitirá aos produtores explorar mundos abertos mais densos e simulações físicas mais complexas.
No campo da GPU, existe um cruzamento de informações interessante. Enquanto algumas fontes mencionam a arquitectura RDNA5 — a mesma que deverá equipar a próxima geração da Xbox (projecto “Magnus”) —, outros relatórios sugerem a implementação de uma arquitectura personalizada denominada UDNA. Independentemente da nomenclatura final, o objectivo é claro: oferecer suporte nativo a resoluções elevadas com taxas de actualização do ecrã estáveis e elevar o Ray Tracing a um patamar de realismo fotográfico, possivelmente com o auxílio de tecnologias de “cache” empilhada em 3D.
Consola portátil no horizonte
Uma das maiores surpresas nestes dados cruzados é a confirmação de que a Sony não está a planear apenas uma consola para ter na sala. Existe um segundo SoC em desenvolvimento, conhecido internamente como “Canis”, destinado a uma nova consola portátil da PlayStation. Ao contrário do PlayStation Portal, que depende do streaming, esta será uma máquina capaz de correr jogos de forma nativa.
Esta consola portátil deverá apresentar 24 GB de memória LPDDR5X, uma especificação que a coloca em linha com os computadores de mão mais potentes da actualidade. A ideia da Sony passa por criar um ecossistema onde a experiência de jogo é contínua, permitindo que os títulos da geração actual corram sem restrições de memória num formato móvel, enquanto a PS6 principal assume o papel de ponta de lança tecnológica.
Desafios de produção e preço
Nem tudo são notícias positivas neste cenário de alta tecnologia. O sector dos semicondutores atravessa um período de instabilidade no que toca aos custos de memória, o que levanta questões sobre o preço final da consola. Alguns analistas sugerem que a inclusão de 30 GB de GDDR7 poderá inflacionar o custo de fabrico em cerca de 100 dólares.
Existe um debate interno, reflectido nas discussões em fóruns como o NeoGAF, sobre se a Sony deveria optar por uma solução mais modesta de 20 GB para manter o preço competitivo. No entanto, especialistas como Kepler argumentam que 20 GB seriam insuficientes para as ambições da próxima geração. A Sony parece estar disposta a absorver parte destes custos inicialmente ou a posicionar a PlayStation 6 num segmento de preço mais elevado, justificando o valor com o salto geracional massivo que a máquina representa.
Janela de lançamento
Embora a Sony mantenha o silêncio oficial, o cruzamento de dados entre os roadmaps da AMD e as fugas de informação da cadeia de abastecimento aponta para o ano de 2027 como a data provável de lançamento. Este calendário coincide com o ciclo de vida habitual das consolas da marca, surgindo sete anos após a estreia da PlayStation 5.
Até lá, a indústria continuará a acompanhar de perto a evolução dos custos de produção e o desenvolvimento das ferramentas de software que permitirão tirar partido de tamanha capacidade de memória. Uma coisa é certa: a PlayStation 6 não está a ser desenhada para ser apenas uma actualização incremental, mas sim uma plataforma que pretende redefinir os limites do que é possível no entretenimento digital.